Tradicional colégio estadual do Rio, que fará 150 anos em 2025, foi renomeado com nome de batismo do apresentador Silvio Santos

Colégio Estadual Amaro Cavalcanti é parte de um conjunto de oito prédios públicos conhecidos como ‘escolas do imperador’. Erguidos na década de 1870 e 1877 foram construídos por ordem de Dom Pedro II

O tradicional Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, localizado no Largo do Machado, Zona Sul do Rio de Janeiro, e que celebrará 150 anos em abril do próximo ano, foi oficialmente renomeado como Colégio Estadual Senor Abravanel, nome de registro de Silvio Santos, falecido em agosto aos 93 anos. A mudança foi formalizada por meio de uma resolução da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), publicada no Diário Oficial do estado nesta terça-feira.

Na justificativa, a Seeduc destaca que Silvio Santos, além de apresentador e empresário de sucesso, foi aluno da instituição quando ainda era a Escola Técnica de Comércio. Além dessa homenagem, o famoso animador — que nasceu no bairro da Lapa, no Rio, mas construiu sua trajetória de fama e fortuna em São Paulo — pode receber mais uma homenagem na cidade.

Um projeto de lei publicado no Diário Oficial de segunda-feira propõe renomear a rodovia RJ-116 como rodovia Silvio Santos. A proposta ainda será discutida na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Colégio do Imperador

O Colégio Estadual Amaro Cavalcanti é parte de um conjunto de oito prédios públicos que ficaram conhecidos como as “escolas do imperador”. Erguidos na década de 1870 e 1877 foram construídos por ordem de Dom Pedro II.

Na sua primeira versão, o atual Colégio Senor Abravanel foi chamado de Escola da Glória, referência ao Largo de Nossa Senhora da Glória que tempos depois ganhou o nome pelo qual o conhecemos até hoje: Largo do Machado. O prédio, projetado pelo arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt Silva, foi tombado pelo Iphan na década 1990.

Primogênito de dois imigrantes judeus sefarditas que vieram para o Brasil em 1924, Senor Abravanel, nasceu em 12 de dezembro de 1930, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Com um de seus quatro irmãos, Leon, começou a vender nas ruas da então capital brasileira capinhas plásticas para guardar título de eleitor, nas eleições de 1946, aos 14 anos.

A voz bem postada de vendedor ambulante chamou atenção e garantiu-lhe um teste na Rádio Guanabara, mas a remuneração não permitiu abandonar a vida de camelô. Aos 18 anos, trabalhando em uma rádio em Niterói, ele iniciou seu primeiro empreendimento de fato: um serviço de alto-falante nas barcas que cruzavam a Baía de Guanabara.

Aos 20 anos, decidiu mudar-se para São Paulo, onde iria apresentar espetáculos e sorteios em caravanas de artistas. Na Rádio Nacional, onde era locutor, conheceu o ator, humorista e autor Manoel de Nóbrega.

O criador da “Praça da Alegria” estava em dificuldades para administrar uma empresa de venda de brinquedos por prestações em carnês mensais, chamada Baú da Felicidade. Silvio assumiu o empreendimento, que em1962 viria a se tornar o Grupo Silvio Santos, quando, além de brinquedos, passaria a financiar eletrodomésticos, carros e até casas. O grupo também ganhou um braço financeiro, em 1969, que daria origem ao Banco PanAmericano.

A carreira de Sílvio Santos na tevê teve início como uma estratégia para promover o Baú da Felicidade. O empresário comprava horários de meia-hora na faixa nobre das noites de segunda-feira, na TV Paulista, para exibir o programa ” Vamos brincar de forca”. Na atração, clientes em dia com o carnê do Baú eram sorteados para participar de um jogo da forca no estúdio, no qual concorriam a prêmios.

Três anos depois, o apresentador comprou parte do horário do domingo da mesma emissora, onde estreou, em 2 de junho de 1963, o “Programa Silvio Santos”. Com a venda do espólio da TV Paulista para a recém-inaugurada TV Globo, em 1965, o programa passou a fazer parte da grade da emissora carioca, com o apresentador indo ao ar inicialmente apenas em São Paulo e, depois de 1969, em cadeia nacional.

Em 1988, o apresentador propôs sua candidatura à prefeitura de São Paulo pelo Partido da Frente Liberal (PFL), mas não levou a disputa à frente. No ano seguinte, quando o país se preparava para sua primeira eleição presidencial após 25 anos, incluindo 21 anos de ditadura e outros quatro anos do governo de José Sarney — vice que assumiu após a morte de Tancredo Neves, eleito indiretamente pelo Congresso em 1985 —, Silvio Santos decidiu lançar-se candidato pelo inexpressivo PMB (Partido Municipalista Brasileiro).

Os planos, contudo, foram frustrados quando o TSE cassou a candidatura a seis dias do primeiro turno, por entender que o PMB não havia cumprido todos os requisitos para concorrer ao pleito e que o apresentador estaria inelegível por ser dirigente de uma rede de TV, utilizando uma concessão pública. Depois, não voltou a se candidatar a nenhum cargo público.

Em 18 de julho deste ano, Silvio Santos foi internado no hospital Albert Einsein por um quadro de H1N1. Ele recebeu alta no dia 20 daquele mês, mas voltou a ser internado no mesmo local no dia 1 de agosto.

Com informações de O Globo.

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