Os primeiros resultados de pesquisas de boca de urna no Reino Unido, divulgados na noite desta quinta-feira (4), indicam uma vitória do Partido Trabalhista (centro-esquerda) nas eleições para o Parlamento britânico.
De acordo com a pesquisa, os trabalhistas obtiveram 410 assentos no Parlamento britânico, enquanto os conservadores, liderados pelo atual primeiro-ministro Rishi Sunak, conquistaram apenas 131. Para ganhar a maioria, um partido ou coalizão precisa de 326 cadeiras, considerando que o Parlamento possui um total de 650 assentos. A imprensa britânica está considerando o resultado como uma “vitória de lavada” trabalhista.
Com esse resultado, Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, deve se tornar o novo primeiro-ministro do Reino Unido. A campanha dos trabalhistas focou em uma única palavra: mudança. Starmer agradeceu aos eleitores após o fechamento das urnas: “A todos que fizeram campanha para o Partido Trabalhista nesta eleição, a todos que votaram em nós e confiaram no nosso Partido Trabalhista reformado – obrigado”, disse Starmer em publicação no X (antigo Twitter).
Caso os 131 assentos dos conservadores sejam confirmados, este será o pior resultado do partido em termos de cadeiras no Parlamento desde que começaram a se chamar Partido Conservador, na década de 1830, sob Robert Peel. Até então, o pior resultado dos conservadores era de 156 assentos, em 1906.
As urnas fecharam às 18h (horário de Brasília). As pesquisas de boca de urna oferecem apenas um indicativo da apuração dos votos, que ainda está em andamento, mas o cenário já era esperado após pesquisas de intenção de voto indicarem uma vitória folgada dos trabalhistas.
Mesmo antes da votação, os conservadores já estavam se preparando para conter danos e tentar reduzir o número de cadeiras conquistadas pelos trabalhistas.
Veja abaixo os números de cadeiras conquistados por cada partido, segundo a pesquisa da Ipsos/BBC News/ITV News/Sky News:
- Partido Trabalhista (centro-esquerda): aumenta de 205 para 410 assentos (205 a mais)
- Partido Conservador (centro-direita): cai de 344 assentos para 131 (213 a menos)
- Partido Liberal Democrata: aumenta de 15 para 61 (46 a mais)
- Partido Reformista (extrema direita): aumenta de 1 para 13 (12 a mais)
- Partido Nacional Escocês: cai de 43 para 10 (33 a menos)
- Partido do País de Gales: sobe de 3 para 4 (1 a mais)
- Partido Verde: sobe de 1 para 2 (1 a mais)
- Outros: 19 (sem alteração)
Os conservadores de centro-direita assumiram o poder durante a crise financeira global e venceram mais três eleições desde então. Mas esses anos foram marcados por uma economia lenta, serviços públicos em declínio e uma série de escândalos, tornando os “tories”, como são comumente conhecidos, alvos fáceis para críticos da esquerda e da direita.
Sunak pegou todos de surpresa ao convocar, em maio, as eleições de forma antecipada. A manobra visava aproveitar um bom resultado de um balanço financeiro divulgado à época, sob a premissa de que os números não melhorariam mais que isso. O cálculo, no entanto, não deu certo.
Os tories, como são conhecidos os conservadores, também perderam votos por outros temas. É previsto que o novo Partido Reformista “roube” votos da ala direita dos conservadores pelas críticas ao governo por não conseguir controlar a imigração, um tema sensível aos britânicos.
O Reino Unido está dividido em 650 distritos eleitorais e há 650 membros na Câmara dos Comuns –o Parlamento britânico. Os eleitores de cada um destes distritos vão eleger um deputado para representar os moradores locais. A maioria dos candidatos representa um partido político, mas alguns são independentes. Não há primárias ou segundo turno, apenas uma única rodada de votação em 4 de julho.
A Grã-Bretanha usa um sistema de votação “first past the post”, o que significa que o candidato que terminar no topo em cada distrito será eleito, mesmo que não obtenha 50% dos votos. Isso geralmente cimentou o domínio dos dois maiores partidos, conservadores e trabalhistas, porque é difícil para partidos menores ganharem assentos a menos que tenham apoio concentrado em áreas específicas.
Como é escolhido o primeiro-ministro?
O partido que comandar a maioria na Câmara dos Comuns, sozinho ou com o apoio de outro partido, formará o próximo governo e seu líder será o primeiro-ministro. O líder do partido com o segundo maior número de parlamentares se torna o líder da oposição.
O rei Charles III tem um envolvimento formal nesse processo: ele pede ao líder do partido com mais parlamentares para assumir o posto de Chefe do Executivo e formar um governo.
Isso significa que os resultados determinarão a direção política do governo, que tem sido liderado pelos Conservadores de centro-direita nos últimos 14 anos. O Partido Trabalhista, de centro-esquerda, é amplamente visto como estando na posição mais forte.
Com informações do G1.





