Tornozeleira eletrônica de Anderson Torres chama atenção em depoimento ao STF

Ex-ministro de Justiça diz que perdeu celular nos EUA ao saber da decretação de sua prisão : “Fiquei transtornado”

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres foi interrogado nesta terça-feira (10) como réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da trama golpista. Durante seu depoimento, a tornozeleira eletrônica que ele usa por determinação judicial ficou visível sob a meia, chamando atenção no plenário.

O dispositivo de monitoramento foi imposto por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que estabeleceu medidas cautelares após a soltura de Torres em 2023. O ex-ministro havia sido preso em janeiro daquele ano e permaneceu detido por quatro meses, sob suspeita de omissão durante os atos de invasão às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro.

Em seu depoimento à Primeira Turma do STF, Torres, afirmou que perdeu o celular enquanto estava nos Estados Unidos ao receber a notícia de que sua prisão havia sido decretada.

“Eu perdi meu telefone, acho que aquele momento foi o mais duro da minha vida. Eu saí daqui [do Brasil] como Secretário de Segurança e no dia 10 saiu minha prisão. Isso me deixou completamente transtornado, eu perdi completamente o equilíbrio com aquela notícia da prisão e, nesse contexto, acabei perdendo o meu celular”, declarou Torres durante o interrogatório.

A prisão de Torres foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes em 10 de janeiro de 2023, dois dias após os ataques golpistas que resultaram na depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. Na ocasião, Torres se encontrava nos Estados Unidos, em viagem com a família, e já havia sido exonerado do cargo de secretário de Segurança Pública no mesmo dia dos ataques, em 8 de janeiro.

O ex-ministro negou que tenha tido qualquer intenção de ocultar provas ou atrapalhar as investigações conduzidas pela Polícia Federal. “Cheguei no Brasil e forneci a senha da nuvem do meu celular”, afirmou. Segundo ele, a viagem havia sido planejada com antecedência: as passagens teriam sido compradas em novembro de 2022, com o intuito de aproveitar as férias escolares dos filhos. “Não foi coincidência. Foram férias programadas para tirar com a minha família”, explicou.

Anderson Torres é um dos réus do chamado “núcleo 1” da trama golpista, considerado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como o eixo central do plano. Na casa dele, a Polícia Federal encontrou o documento que ficou conhecido como “minuta do golpe”, que previa medidas para alterar o resultado das eleições presidenciais e foi tratado pelos investigadores como peça-chave para demonstrar a articulação entre os envolvidos.

Torres chama minuta do golpe de minuta “do google”

Após retornar dos Estados Unidos, Torres foi preso preventivamente por ordem de Moraes e passou quatro meses detido. Atualmente, ele cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.

A defesa de Torres sustenta que ele jamais participou de qualquer tentativa de ruptura institucional e que o documento encontrado em sua residência era apenas um rascunho sem validade jurídica, que, segundo o próprio ex-ministro, havia sido “baixado do Google”. Em outro trecho de seu depoimento, ele reforçou: “A ‘minuta do golpe’ é uma minuta do Google”.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading