Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta sexta-feira (23) a oitiva das testemunhas de defesa dos réus Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe orquestrada pela cúpula do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O coronel do Exército Waldo Manuel de Oliveira Aires, que depôs como testemunha de defesa de Braga Netto, relatou que o ex-ministro jogava vôlei na praia de Copacabana quando começaram os ataques aos Três Poderes em Brasília e que a reação foi de surpresa diante dos acontecimentos de 8 de janeiro.
“Creio que para todo mundo foi surpresa. Não esperávamos que ocorresse a manifestação. A depredação causou em todo mundo uma certa surpresa, porque jamais esperávamos. Eram manifestações pacíficas”, afirmou o militar.
Ele acrescentou: “A reação do general Braga Netto também foi de surpresa. Jamais se esperava que uma manifestação conservadora terminasse da forma como terminou.”
A fase de depoimentos começou na segunda-feira (19) com as testemunhas de acusação indicadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os já ouvidos, estão um diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, e o ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Júnior. Eles confirmaram que Bolsonaro participou de um plano para permanecer no poder mesmo após sua derrota nas eleições de 2022.
Na quinta-feira (22), iniciaram-se as oitivas das testemunhas de defesa, com depoimentos de pessoas indicadas pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator Mauro Cid.
Nesta sexta-feira pela manhã, foram ouvidos o delegado Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho, testemunha de Ramagem, e o coronel Waldo Manuel de Oliveira Aires, testemunha de Braga Netto.
No período da tarde, estão previstos os depoimentos do general Hamilton Mourão — senador, ex-vice-presidente e indicado pelo ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e também por Bolsonaro —, do general Paulo Sérgio Braga Netto, do coronel Alex D’alosso Minussi, do coronel Gustavo Suarez da Silva (ex-GSI), do comandante da Marinha Sampaio Olsen (testemunha de Almir Garnier, ex-comandante da Marinha), e do ex-ministro Aldo Rebelo.
A denúncia apresentada pela PGR ao STF, em 26 de março, acusa Bolsonaro e mais 33 pessoas de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Segundo o Ministério Público, a organização era liderada por Jair Bolsonaro e seu então candidato a vice-presidente, Braga Netto.
De acordo com a denúncia, aliados civis e militares teriam atuado de forma coordenada para impedir a validação do resultado das eleições presidenciais de 2022. Os acusados foram divididos em núcleos pela PGR para facilitar a investigação.
A sequência das audiências no STF segue com a expectativa de aprofundar as investigações e garantir o contraditório no julgamento que mobiliza o cenário político nacional.





