As tarifas de ônibus municipais da capital paulista, assim como as de trens e metrô no estado de São Paulo, ficaram mais caras a partir da 0h desta terça-feira (6). O reajuste atinge milhões de usuários do transporte público e ocorre em meio ao debate sobre o crescimento dos subsídios e o equilíbrio financeiro do sistema.
Na cidade de São Paulo, a passagem de ônibus teve aumento de R$ 0,30, passando de R$ 5,00 para R$ 5,30. A decisão foi tomada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Já as tarifas de trens e do metrô, sob responsabilidade do governo estadual, subiram de R$ 5,20 para R$ 5,40, após reajuste autorizado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Justificativa da prefeitura e inflação
A gestão municipal afirma que o reajuste de 6% nos ônibus ficou abaixo do IPC-Fipe Transporte Coletivo acumulado no ano, que atingiu 6,5%. Ainda assim, o aumento supera a inflação oficial medida pelo IPCA, calculado pelo IBGE, que acumulou 4,5% em 12 meses até novembro.
Em nota oficial, a prefeitura afirmou que “por cinco anos, de 2020 a 2025, houve uma única atualização e, ainda assim, abaixo da inflação. Atualmente, a capital tem uma das menores tarifas da região metropolitana de São Paulo e uma das mais baratas do país, considerando também que o valor dá a possibilidade de o passageiro utilizar até quatro ônibus no período de três horas com o Bilhete Único”.
O reajuste foi definido em reunião na sede da Prefeitura de São Paulo, com a participação de secretários responsáveis pelas áreas de transporte, mobilidade urbana e orçamento municipal.
Subsídios e desequilíbrio financeiro
A elevação da tarifa já havia sido sinalizada pelo prefeito no início do mês, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Na ocasião, Ricardo Nunes afirmou que precisava “manter o equilíbrio” das contas do transporte público, diante do crescimento acelerado dos subsídios pagos às empresas de ônibus.
Em 2025, o subsídio municipal ao sistema já ultrapassou R$ 6 bilhões, valor considerado recorde histórico. Dados divulgados em reportagem do g1, em 17 de dezembro, apontam que os custos das empresas para operar o sistema municipal de ônibus aumentaram mais de R$ 492 milhões até outubro. No mesmo período, a arrecadação com tarifas cresceu apenas R$ 410,3 milhões.
Essa diferença obrigou a prefeitura a ampliar o aporte de recursos públicos, mesmo após o reajuste aplicado no ano passado, quando a tarifa subiu de R$ 4,40 para R$ 5,00. Somente em compensações tarifárias, o aumento foi superior a R$ 81 milhões.
O custo total do sistema de ônibus em 2025 já soma R$ 10,34 bilhões, enquanto a arrecadação tarifária alcançou apenas R$ 4,3 bilhões. O valor destinado a subsídios é o maior já registrado na cidade, mesmo sem considerar os meses de novembro e dezembro.
Outro fator de pressão sobre os preços é a revisão quadrienal dos contratos com as empresas de ônibus. Um estudo contratado pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) indica que essa revisão pode elevar os custos do sistema em pelo menos 9,88% em 2026.
Reajustes também atingem a Grande SP
Além da capital, moradores de cidades da Região Metropolitana de São Paulo também sentirão o impacto no bolso. Cinco municípios que integram o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (CIOESTE) anunciaram aumento da tarifa de ônibus de R$ 5,80 para R$ 6,10, válido a partir de 5 de janeiro.
O reajuste, de 5,2%, será aplicado em Osasco, Barueri, Carapicuíba, Jandira e Itapevi e também supera a inflação acumulada nos últimos 12 meses medida pelo IPCA.
Em comunicado conjunto, os prefeitos afirmaram que “o reajuste foi definido com base em critérios técnicos e legais, considerando a recomposição dos custos operacionais do sistema, com o objetivo de manter a qualidade, a segurança e a regularidade dos serviços prestados à população”.
Participaram da decisão os prefeitos Gerson Pessoa (Osasco), Beto Piteri (Barueri), José Roberto (Carapicuíba), Doutor Sato (Jandira) e Marcos Godoy, conhecido como Teco (Itapevi).






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