Tarcísio Motta faz comício na Cinelândia e aumenta o tom contra Freixo e a campanha pelo voto útil a Eduardo Paes  

Freixo, hoje presidente da Embratur, já havia defendido o voto em Paes no primeiro turno ao longo da campanha: seu partido, o PT, está na coligação do atual prefeito

Em comício realizado nesta terça-feira (1) na Cinelândia, tradicional palco de manifestações da esquerda carioca, o candidato do PSOL à prefeitura do Rio de Janeiro, Tarcísio Motta, criticou as tentativas da própria esquerda de enfraquecer sua candidatura em prol da reeleição do prefeito Eduardo Paes (PSD).

O movimento pelo “voto útil” em Paes, que busca garantir a vitória no primeiro turno das eleições deste domingo, incluiu até mesmo Marcelo Freixo, ex-deputado e antigo aliado de Tarcísio no PSOL, atualmente filiado ao PT. Tarcísio criticou duramente o que chamou de “incoerência” de Freixo, em resposta a um vídeo gravado pelo ex-psolista, no qual ele orienta a esquerda a votar “com estratégia” para evitar um segundo turno envolvendo o bolsonarista Alexandre Ramagem (PL).

Ramagem aparece em segundo, com 20% das intenções de voto, em pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (30). Paes lidera com 53%, e agora tenta desidratar a candidatura de Tarcísio, que soma 6%.

Freixo, hoje presidente da Embratur no governo Lula, já havia defendido o voto em Paes no primeiro turno ao longo da campanha — seu partido, o PT, está na coligação do atual prefeito. O apelo por voto útil na reta final, porém, irritou o PSOL, que aposta justamente em um histórico de crescimento de candidaturas de esquerda nos últimos dias de campanha.

— Com todo o respeito que tenho ao Freixo, o que ele fez hoje mancha a história dele próprio. O tempo todo durante esta campanha eu disse que ele era um aliado, não um adversário. Quem resolveu me chamar de adversário foi ele e vai ter que arcar com as responsabilidades desse processo ao fazer vídeo pedindo que as pessoas não votem em mim — disse Tarcísio ao jornal.

Além de orientar o chamado “voto útil” em Paes, Freixo também aconselhou o apoio da esquerda ao ex-prefeito Rodrigo Neves (PDT) em Niterói. Na cidade, em um cenário similar ao do Rio, o bolsonarista Carlos Jordy (PL) aparece na vice-liderança, com chances de forçar a realização de um segundo turno.

Tarcísio chamou de “incoerência” a movimentação de Freixo, argumentando que na campanha de 2016 à prefeitura apoiou o então psolista contra um movimento semelhante do grupo de Paes — que tentava colocar Pedro Paulo no segundo turno contra Marcelo Crivella. Na ocasião, Freixo acabou crescendo nas pesquisas e avançou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Crivella.

Além de Freixo, outras lideranças de partidos de esquerda que apoiam Paes, como as deputadas Jandira Feghali (PCdoB) e Martha Rocha (PDT) e o deputado Washington Quaquá (PT), também pregaram um “voto útil” da esquerda no atual prefeito.

Já o apelo “anti-voto útil” foi a tônica do comício de Tarcísio, que reuniu público tímido, com algumas poucas dezenas de pessoas na noite desta terça. Lideranças do PSOL, como os deputados federais Chico Alencar e Glauber Braga e a deputada estadual Renata Souza — colega de chapa de Tarcísio, e que participou por vídeo devido ao nascimento da filha —, criticaram o que chamaram de “movimento coordenado” contra o candidato do partido.

Tarcísio chamou a campanha de Paes de “arrogante”, por ter participado de apenas um debate ao longo da campanha, e voltou a reivindicar o apoio da esquerda — embora a maioria dos eleitores de Lula em 2022 apoie hoje a reeleição do prefeito, segundo as pesquisas.

— Se ele (Paes) fosse o candidato que enfrenta a extrema-direita, estaria fazendo propostas nesse sentido e não tentando tirar votos da minha candidatura. Vamos na reta final desmontar tanto a extrema-direita do ódio e da violência quanto essa farsa do voto útil — afirmou Tarcísio.

Com informações de O Globo .

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