Surgimento de cracolândia em Copacabana alarma moradores, que denunciam aumento de violência

Insegurança cresce no Bairro Peixoto com furtos, uso de drogas e ocupação das ruas por usuários

A rotina dos moradores do Bairro Peixoto, em Copacabana, tem sido marcada pelo medo e pela insegurança. Apesar da proximidade com o 19º Batalhão de Polícia Militar e a Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade, a Praça Edmundo Bittencourt tornou-se ponto de venda e consumo de crack, segundo denúncias da população. Além do uso constante de entorpecentes e da formação de uma cracolândia, há relatos de furtos, ameaças e até relações sexuais à luz do dia.

Uma moradora, que vive na região há 11 anos, descreve a degradação do bairro:
— Nunca vi essa situação antes. Há muitos moradores de rua e usuários de drogas. Eles quebram vidros de carros para furtar, reviram lixo e deixam sujeira espalhada. O parquinho infantil tem garrafas quebradas e até fezes humanas. As crianças veem tudo isso, inclusive gente se drogando e transando na praça.

A desvalorização imobiliária também preocupa. Proprietária e síndica de dois prédios na Rua Anita Garibaldi, outra moradora diz que já cogita vender seu apartamento:
— Tenho medo de sair à noite. O tráfico e o consumo de drogas acontecem sem restrições. O IPTU continua o mesmo, mas a qualidade de vida despenca.

Síndico de um edifício, um servidor federal relata um episódio alarmante:
— Um morador acordou e viu um homem pendurado na grade da sua janela tentando invadir a varanda do segundo andar, onde mora uma família com uma criança. Isso ocorreu por volta das 6h, quando o fluxo de usuários fumando crack na rua é intenso.

Conselho Comunitário: medidas insuficiente até agora

As queixas foram levadas ao Conselho Comunitário de Segurança de Copacabana. Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, confirma que o problema tem sido debatido, mas ressalta os desafios da atuação policial:
— A PM intensificou o patrulhamento, mas há dificuldade em realizar flagrantes. Quando isso ocorre, os usuários são levados à delegacia e logo liberados, pois o consumo de drogas é considerado crime de menor potencial ofensivo.

Comerciantes também relatam impactos negativos. Bianca Campos, dona de um negócio na Rua Anita Garibaldi, afirma que seus clientes têm medo de transitar pelo bairro à noite:
— Vemos brigas e confusões constantemente. Outro dia, um casal se agredia e gritava na porta do meu estabelecimento. É uma situação preocupante.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirma que a atuação policial é essencial para conter o problema:
— A venda de crack se espalha por toda a cidade, pois é um negócio lucrativo. Não adianta prender apenas o pequeno traficante sem mapear a rota do tráfico. Implementamos internações involuntárias para dependentes químicos em risco, mas sem uma ação policial estratégica, a situação persiste.

A Polícia Militar informou que reforçou o policiamento na área e que busca integração com as UPPs locais para conter o avanço do tráfico. Já a Secretaria de Assistência Social afirmou que realizou mais de mil abordagens em Copacabana, com encaminhamentos para serviços de acolhimento e tratamento.

Enquanto as autoridades tentam conter a crise, moradores seguem apreensivos, temendo que o bairro, antes conhecido pela tranquilidade, se torne mais uma região dominada pelo tráfico e pelo consumo de drogas.

Com informações de O Globo

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