Cracolândias transformam rotina de Botafogo e amedrontam moradores e comerciantes

Aglomerações de usuários de drogas desafiam ações de segurança e saúde pública no bairro

O aumento da presença de usuários de drogas nas ruas de Botafogo tem causado insegurança e afetado drasticamente a rotina dos moradores e comerciantes. Conhecido por seus bares, escolas e comércio diversificado, o bairro agora enfrenta um cenário de degradação e medo. A presença constante de usuários de crack em vias como a Rua São Clemente e a Real Grandeza tem levado a episódios de ameaças, furtos e ao esvaziamento de espaços públicos.

Na esquina das ruas São Clemente e Sorocaba, um condomínio tomou medidas extremas: derrubou duas mangueiras históricas, cujas sombras haviam se tornado pontos de uso de drogas, além de instalar insulfilme para proteger os porteiros das ameaças de pessoas armadas com facas. “Estamos trancados em casa, com janelas gradeadas. A rua ficou perigosa, e o sistema de segurança não funciona”, lamenta a aposentada Catarina Marcondes, de 71 anos.

A insegurança também atinge comerciantes. Um vendedor de frutas relatou que moradores procuram abrigo em sua barraca para escapar de ataques de usuários, que frequentemente portam facas ou atiram pedras. Para ele, “é cada vez mais difícil trabalhar aqui”.

Cenas de consumo de crack na Rua Voluntários da Pátria, uma das mais movimentadas do bairro, se tornaram comuns, mesmo durante o dia. Em alguns casos, usuários agem em grupo, pedindo dinheiro e ameaçando quem recusa. Moradores relatam um clima de pânico generalizado, especialmente após o horário comercial, quando as ruas ficam desertas.

A Praça Corumbá, na subida do Morro Dona Marta, traz outra dimensão ao problema: pichações com as iniciais do Comando Vermelho e avisos proibindo o uso de crack sugerem a influência do tráfico local. De acordo com a Polícia Militar, o 2º BPM tem intensificado patrulhas na área, mas a dispersão dos usuários torna a atuação mais difícil.

Entre janeiro de 2023 e novembro do mesmo ano, o número de roubos em Botafogo disparou: furtos de celulares cresceram 90%, e roubos a pedestres, 64,7%, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).

A Secretaria Municipal de Saúde reconhece que o enfrentamento ao crack exige repressão à venda, que seria responsabilidade do estado. No CAPSad Heleno de Freitas, em Botafogo, mais de 16 mil atendimentos a dependentes químicos foram realizados entre 2023 e 2024.

Com informações de O Globo

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