Solto pela Justiça, Gabriel Monteiro responde judicialmente aos crimes de estupro, assédio sexual, calúnia e difamação

Com processos tramitando em segredo de Justiça, o ex-vereador é réu em pelo menos três ações penais

Com processos tramitando em segredo de Justiça, o ex-vereador Gabriel Monteiro, solto nesta sexta-feira (21), quando deixou o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), na Zona Oeste do Rio, é réu em pelo menos três ações penais.

Além da acusação de assédio sexual e estupro, que o manteve preso desde novembro de 2022, quando teve o mandato cassado, ele também responde a crimes como vazamento de vídeo íntimo, calúnia e difamação.

 O ex-vereador  apareceu, na madrugada deste sábado (22), em uma foto publicada nas redes sociais de sua esposa, Ana Carolina dos Santos Chagas.

Nas redes, a esposa postou uma foto beijando Gabriel Monteiro e escreveu: “meu marido, meu amigo, meu companheiro, meu anjo”.

Em maio de 2023, enquanto estava preso, eles se casaram. Segundo Ana Carolina, um oficial do cartório foi ao presídio pegar a assinatura de Monteiro nos documentos de formalização do relacionamento. Ela disse que não houve nenhum motivo especial para a oficialização da união estável e que optaram pela separação total de bens.

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) à Justiça, em 2022, que levou Gabriel à prisão, uma mulher de 22 anos afirmou que ele a forçou a manter relações sexuais, depois de lhe apontar uma arma. O ex-parlamentar também é réu por filmar relações sexuais com uma adolescente e por ter acusado o empresário Rafael Sorrilha de tentar forjar provas para incriminá-lo.

Na denúncia feita em abril de 2022, o MPRJ informou à Justiça que Gabriel Monteiro filmou através de telefone celular cena de sexo explícito com uma adolescente que, na ocasião, tinha 15 anos, na academia do condomínio de luxo em que morava, na Barra da Tijuca. Na época, o ex-vereador informou à polícia, durante investigação sobre o vazamento do vídeo, que a adolescente afirmou ter 18 anos. O caso tramita na 28ª Vara Criminal da Capital e não há informações sobre o andamento do processo.

Na ação cível que o empresário Rafael Sorrilha moveu em março de 2022 contra Gabriel, que o associou à máfia de reboques, o ex-vereador foi condenado, mas recorreu.

Gabriel Monteiro usou redes sociais em para afirmar que é vítima de um complô de um suposto esquema envolvendo reboques na cidade do Rio, liderado por Sorrilha. Em outubro do ano passado, a Justiça determinou que o ex-vereador retirasse as postagens do ar, o que não foi feito até hoje, e que pagasse R$ 50 mil de danos morais. Ele recorreu e o recurso ainda não foi julgado.

Medidas cautelares

Gabriel Monteiro foi beneficiado por uma decisão Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, que concedeu liberdade ao ex-parlamentar, com medidas cautelares. Por determinação da 34ª Vara Criminal do Rio, ele terá que usar tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar o Rio. A Justiça também determinou o comparecimento periódico em juízo e a proibição de manter contato com a vítima — o ex-vereador foi acusado de forçar relações sexuais com uma mulher de 22 anos após lhe apontar uma arma, em julho de 2022. Ele ainda teria tentado filmar a relação sexual.

— Acredito que Deus está fazendo Justiça por mim — disse Monteiro, ao deixar a cadeia.

O processo corre em segredo de Justiça. O ex-vereador tem cinco dias para se apresentar para a colocação da tornozeleira. Ele foi preso em novembro de 2022, após se apresentar a uma delegacia em Niterói. Na ocasião, ele já havia perdido seu mandato de vereador, por quebra de decoro parlamentar.

A decisão de liberdade foi da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que aceitou, por unanimidade, recurso da defesa, substituindo a prisão preventiva por medidas cautelares.

Procurada, a defesa de Gabriel Monteiro informou que os processos deles são sigilosos e, por esse motivo, não poderia passar informações.

Mandato polêmico

Ex-integrante do grupo Movimento Brasil Livre (MBL), Monteiro foi o terceiro vereador mais votado do Rio em 2020 pelo PSD (depois foi para o PL), ficando atrás de Carlos Bolsonaro (então do Republicanos, hoje no PL) e Tarcísio Motta (PSOL).

Durante o mandato, criou polêmica ao invadir instalações públicas sob o pretexto de fiscalizar as condições de funcionamento desses locais. Sempre cercado por assessores, produzia imagens para seus vídeos monetizados nas redes sociais. A estimativa é que faturava R$ 300 mil por mês com as produções.

Com informações de O Globo

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