Sexta-feira 13: por que 2026 tem três datas e pouco risco

A combinação que assusta supersticiosos volta três vezes no calendário, mas números de seguradoras e pesquisadores apontam para um dia comum.

Os supersticiosos que se preparem: fevereiro não é o único mês marcado pela combinação agourenta. Em 2026, a sexta-feira 13 cai três vezes — em fevereiro, março e novembro —, algo que depende do dia da semana em que o ano começa. Em geral, o calendário traz uma ou duas ocorrências; desta vez, o número é maior.

A coincidência fica ainda mais simbólica quando a data aparece em pleno Carnaval e, em alguns países, na véspera do Dia dos Namorados. Para os supersticiosos, isso amplia o contraste entre azar e boa sorte — e abre espaço para todo tipo de interpretação.

Apesar do clima de apreensão, muita gente trata o assunto com indiferença: “o importante é que é sexta-feira”. Ainda assim, pesquisas mostram que o receio existe. Um levantamento do instituto YouGov indica que uma parcela relevante da população admite ser supersticiosa, com mulheres demonstrando mais cautela do que homens.

Sexta-feira 13: da fobia aos números

Esse medo tem efeitos práticos: hotéis às vezes evitam o quarto 13 e aviões frequentemente pulam a fileira correspondente. A lógica é simples — se o número causa desconforto, é melhor não colocá-lo em evidência.

Mas o que dizem as estatísticas? A seguradora alemã R+V afirma que a sexta-feira 13 não é mais perigosa do que outros dias úteis. Pelo contrário: há registros de menos acidentes tanto em seguros de automóveis quanto em danos materiais.

Já a seguradora Verti calcula que as sextas-feiras, em geral, concentram mais sinistros ao longo da semana. Quando o dia 13 cai numa sexta, pode haver um leve aumento — mas a própria empresa ressalta que isso não é estatisticamente significativo.

Eventos marcantes e coincidências históricas

Quem teme a data costuma lembrar episódios simbólicos: a colisão do navio Costa Concordia em uma sexta-feira 13 de janeiro de 2012, ou o bombardeio do Palácio de Buckingham em 13 de setembro de 1940, também numa sexta. Há ainda o início da perseguição aos Templários em uma sexta-feira 13 de outubro de 1307, por ordem do rei Filipe IV da França.

Na Alemanha, pesquisadores lembram a tempestade Egon, em 13 de janeiro de 2017, que causou danos acima da média. Coincidências assim alimentam a fama do dia — embora exemplos opostos raramente recebam a mesma atenção.

O antropólogo cultural Gunther Hirschfelder, da Regensburg, destaca que o estigma é relativamente recente. Para ele, a má reputação nasce da mistura de mitos antigos com a simbologia do número 12, base de vários sistemas (12 meses, 24 horas divididas em dois períodos). O 13, por “exceder” essa ordem, teria virado sinônimo de desequilíbrio.

Da Bíblia aos Estados Unidos

No catolicismo, o 13 ganhou contornos sombrios por causa da Última Ceia: eram treze à mesa, e Judas foi o traidor de Jesus Cristo. Por muito tempo, o número ficou conhecido como “a dúzia do diabo”. Já na Antiguidade, a sexta-feira era associada à deusa Afrodite, mas também ao dia da crucificação, o que reforçou o tom de luto.

Até o século 20, porém, números e dias da semana não eram combinados nesse simbolismo. Os primeiros relatos consistentes sobre a “má sorte” da sexta-feira 13 surgem nos anos 1950, sempre com referência aos Estados Unidos.

Segundo Hirschfelder, a ideia foi importada para a Alemanha como tantas outras tradições populares. Hoje, a data funciona mais como um “flerte” com a superstição do que como um aviso real de perigo — e os números seguem aí para provar que o azar, nesse caso, é mais fama do que fato.

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