Servidor do MPF lavava dinheiro do tráfico de armas para as duas principais facções criminosas do país

Uma estrutura criminosa no Paraguai que vendia armas para as duas maiores facções brasileiras contava com a participação de um servidor do Ministério Público Federal (MPF) como um dos responsáveis pela lavagem do dinheiro oriundo de um esquema internacional de tráfico de armas. Wagner Miranda foi um dos alvos da operação Dakovo, na semana passada, que desbaratou…

Uma estrutura criminosa no Paraguai que vendia armas para as duas maiores facções brasileiras contava com a participação de um servidor do Ministério Público Federal (MPF) como um dos responsáveis pela lavagem do dinheiro oriundo de um esquema internacional de tráfico de armas. Wagner Miranda foi um dos alvos da operação Dakovo, na semana passada, que desbaratou a estrutura criminosa.

De acordo com relatórios aos quais o blog já jornalista Andréia Sadi teve acesso com exclusividade, Wagner é integrante do núcleo financeiro da quadrilha, composto “por pessoas que consciente e voluntariamente permitiram a movimentação de dinheiro advindo do tráfico de armas, em suas contas bancárias, para fins de dar aparência de ‘licitude’ às manobras realizadas pelo núcleo doleiros”.

O núcleo também está relacionado ao pagamento das armas junto aos fabricantes europeus, ocultando o efetivo proprietário dos recursos movimentados e sua origem.

A investigação aponta que Wagner usou empresas em seu nome para tentar dar aspecto legal ao dinheiro proveniente da venda de armas ilegais. Em 20 de julho de 2022, ele remeteu R$ 100 mil à Bravo Brasil; em 24 de outubro de 2022, mais R$ 50 mil, ambas as operações com dinheiro em espécie.

A PF verificou que o sócio de Wagner na Bravo Brasil, Raimundo Pereira, tinha em seus registros trabalhistas o exercício da função de trabalhador doméstico entre 2007 e 2016, e como trabalhador agropecuário em geral. A empresa não tem funcionários nem atividades nos endereços apontados, com indícios de funcionar apenas de fachada.

Raimundo aparece como único dono ainda da Bravo Brasil – Iphones LTDA, que tem o mesmo endereço e os mesmos telefones da outra empresa. Essa efetuou três depósitos, totalizando R$ 53 mil, para a DDM Aviação LTDA e para David Carlos Ferreira LTDA utilizadas pelo esquema para efetuar pagamentos.

O juizado colegiado montado para essa operação pediu o afastamento cautelar de Wagner das suas funções no Ministério Público Federal. “Na qualidade de servidor do MPF, lotado na Procuradoria-Geral da República, Wagner Vinicius possui livre acesso a sistemas e dados internos, podendo, eventualmente, acessar informações sensíveis relacionadas à operação e, ainda, possui cadastro ativo no PJE do TRF1ª Região como servidor do MPF, de modo que tem acesso a todos os processos, inclusive aqueles classificados com sigilo, o que denota a necessidade de seu afastamento”, atesta o documento.

Wagner Miranda é servidor analista do Ministério Público da União. Dados da Transparência da instituição mostram que seu salário bruto é de R$ 20.649,61.

Procurado, o MPF se recusou a responder se o servidor já havia sido afastado. “O caso é sigiloso, não temos informações dos investigados”. O blog não conseguiu localizar a defesa de Wagner.

A Polícia Federal deflagrou terça-feira passada (5) uma operação contra um grupo suspeito de entregar 43 mil armas para os chefes das maiores facções do país — Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho —, movimentando R$ 1,2 bilhão.

A investigação começou em 2020, quando pistolas e munições foram apreendidas no interior da Bahia. As armas estavam com o número de série raspado, mas, com ajuda da de perícia, a PF conseguiu obter as informações e avançar na investigação.

Três anos mais tarde, a cooperação internacional que resultou na  operação indica que um homem argentino, dono de uma empresa chamada IAS, com sede no Paraguai, comprava pistolas, fuzis, rifles, metralhadoras e munições de fabricantes de países como Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia.

Com informações do G1.

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