Um dos alvos monitorados pela suposta “Abin paralela”, o servidor do Ibama Hugo Ferreira Netto Loss, era responsável por liderar operações de combate ao garimpo e desmatamento que, segundo ele, iam contra os interesses políticos do governo Bolsonaro. A Polícia Federal deflagrou hoje a 4ª fase da Operação “Última Milha”, investigando um esquema de espionagem realizado pela Abin durante o governo anterior.
Em entrevista ao jornal, Loss sugeriu que a espionagem a seu trabalho visava a obter informações sobre suas operações contra atividades ilegais, como garimpo e desmatamento. Seu trabalho era alvo de críticas por parte do governo. Ele foi exonerado do cargo de coordenador de Operações de Fiscalização do Ibama e afirma ter sido deixado de lado devido às suas ações rigorosas.
— Fiquei 414 dias impedido de ir para a Amazônia após as ações de combate ao garimpo e grilagem em terras indígenas. Tomarei as medidas cabíveis para a reparação das ações de assédio executadas por integrantes do governo Bolsonaro — afirmou.
Loss também mencionou uma política ambiental desastrosa do governo Bolsonaro, que incluía ataques aos órgãos de controle ambiental. Ele foi posteriormente reconduzido ao cargo sob a gestão da ministra Marina Silva em fevereiro deste ano. O servidor pretende buscar reparação pelos danos sofridos durante o período em que foi afastado de suas funções na Amazônia.
Durante suas operações, Loss coordenou a destruição de maquinários usados por garimpeiros em terras indígenas no sul do Pará, incluindo a queima de equipamentos não removidos das áreas protegidas. Essas ações legais, porém, eram motivo de críticas por parte do presidente Bolsonaro, que chegou a prometer ação contra tais práticas.
— Quem é o cara do Ibama que está fazendo isso no estado lá? Se me derem as informações, eu tenho como… — disse ele sem concluir a frase aos garimpeiros que o abordaram na entrada do Palácio da Alvorada.
Com informações de O Globo.





