O Senado deve engavetar o projeto que torna crime a chamada discriminação de políticos, inventado por Eduardo Cunha, apresentado por sua filha, que é deputada, e aprovado no plenário da Câmara.
Além de tornar crime qualquer coisa que venha a ser brandida como discriminação contra políticos, o projeto fragiliza controles das instituições financeiras.
O roteiro é semelhante ao praticado pelos senadores em outros assuntos levados adiante por Lira e aliados, como o marco temporal das terras indígenas, a legalização dos jogos, a reforma do Imposto de Renda e a proposta que inocenta réus em caso de empate no julgamento de processos criminais.
O texto avançou na Câmara por 252 votos a 163, apoiado pelo PT e por siglas do Centrão, com voto contrário do PSOL, PCdoB e deputados alinhados ao bolsonarismo, que tentaram barrar a iniciativa.
Onte, Pacheco deu o tom da resistência e indicou que o texto terá uma tramitação mais lenta na comparação com a Casa vizinha, passando por comissões. Nos bastidores, a declaração foi entendida como um sinal de que a proposta nem chegará a andar.
— Não sabia sequer da existência desse projeto, mas, obviamente, aprovado na Câmara e chegando ao Senado, nós vamos conhecer o texto e identificar por quais comissões ele deve passar — disse Pacheco, após reunião com líderes partidários.
No caso do marco temporal, aprovado na Câmara em regime de urgência, com amplo apoio dos deputados, Pacheco também indicou uma longa caminhada — nesta quinta, voltou ao tema e disse que não haverá “açodamento”.





