Sem energia elétrica, condomínios de São Paulo liberam água da piscina para uso em descarga

Cerca de 400 mil endereços da capital paulista ainda estão sem energia mais de 72 horas depois do apagão. Condomínios começam a entregar garrafas de água potável e a liberar o uso de água da piscina para uso na descarga em vasos sanitários. Enquanto veem a comida estragar, moradores também se ajudam na assistência a…

Cerca de 400 mil endereços da capital paulista ainda estão sem energia mais de 72 horas depois do apagão. Condomínios começam a entregar garrafas de água potável e a liberar o uso de água da piscina para uso na descarga em vasos sanitários.

Enquanto veem a comida estragar, moradores também se ajudam na assistência a idosos e na cobrança por soluções de problemas crônicos na estrutura de energia elétrica, além da falta de água.

Ao menos sete pessoas morreram e 4,2 milhões de domicílios ficaram no escuro após as chuvas e rajadas de vento que atingiram diferentes regiões de São Paulo na sexta-feira (3). O fornecimento de energia deve ser totalmente restabelecido nesta terça-feira (7), segundo a Enel, concessionária que administra serviços em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital.

Na zona oeste da cidade de São Paulo, os 2 mil moradores de um condomínio no Jardim Bonfiglioli, no Butantã, com 430 apartamentos, souberam que a energia havia sido retomada em alguns locais do bairro enquanto viam as torneiras secarem.

Durante o fim de semana, não havia bombas para encher as caixas de água das sete torres, e a administração do condomínio passou a distribuir garrafas de água potável. “Agora liberamos a água da piscina para moradores usarem na descarga do vaso sanitário”, diz o síndico, José Eraudo Júnior, 41. A primeira previsão de retorno, às 20h de domingo (5), não se concretizou.

Os moradores descem com baldes, enchem na piscina e sobem para o apartamento. Tudo de escada.

Como o condomínio tem mais de 40 anos, não conta com geradores. “Em caráter emergencial, estamos levando as garrafas de água para as pessoas e disponibilizamos um telefone fixo para nos comunicarmos para emergências de alimento e remédios. E também contamos com o apoio dos nossos colaboradores, que estão recolhendo o lixo pelas escadas.”

Perto dali, na região do Parque Previdência, a chuva e os ventos fortes se somaram a um problema histórico do bairro. “Qualquer chuvinha que dá, tem problema, porque a fiação é muito antiga no bairro”, diz o morador Sergio Reze, 57. Ele integra a diretoria de uma associação local e aponta como solução a modernização da fiação ou o enterramento dos fios, solução apontada por especialistas.

“Para nossa surpresa, ficamos sem água. Tenho apoio e fui para a casa da minha sogra, mas e o restante dos vizinhos?”

Na Vila Prudente, zona leste da capital, a professora universitária Marcella Boscolo, 35, afirma que a energia foi restabelecida às 11h desta segunda (6), após dias de ruas escuras e mercados vazios. “Eu fiquei sem cobertura aqui na região, vi muitas pessoas na mesma situação.”

Ela conta que o bairro também tem diversos prédios que dependem de energia para bombeamento, e cobra que a cidade esteja melhor preparada para eventos que tendem a ser mais frequentes por causa das mudanças climáticas.

“A gente observa, não só aqui na cidade de São Paulo, mas em nível nacional, é que não existe uma cultura da prevenção, existe uma cultura de tapar buracos”.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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