Seis em cada dez evangélicos veem preconceito em ala de desfile que homenageou Lula

Pesquisa Ideia aponta que maioria do público evangélico se sentiu ofendida com a ala “Família em Conserva” da Acadêmicos de Niterói.

Seis a cada dez evangélicos (61,1%) consideram ofensiva ou preconceituosa a representação do segmento religioso na ala “Família em Conserva” da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Sapucaí. A informação é do instituto de pesquisa Ideia, divulgada nesta quinta-feira.

Outros 11% dos entrevistados veem a ala como uma crítica artística legítima, enquanto 8,7% consideram a sátira aceitável. Cerca de 19,2% não souberam opinar, mostrando que a percepção majoritária indica descontentamento e sentimento de ofensa entre evangélicos.

A pesquisa também revelou que três quartos do público evangélico tiveram algum contato com a representação. Apenas 23,9% não viram ou não ouviram falar sobre a ala, 19,1% assistiram ao desfile ou vídeos dele, e 45,9% conheceram por reportagens ou redes sociais.

Reações políticas e críticas do segmento evangélico

Nos últimos dias, a oposição criticou Lula e a escola de samba. Frente evangélica e católica divulgaram notas cobrando responsabilização pelos responsáveis pela ala, que retratava famílias dentro de latas, algumas com referências religiosas.

Quase metade do segmento (48,3%) acredita que o episódio aumenta a polarização religiosa e política ou normaliza a discriminação simbólica. Por outro lado, 38,2% avaliam que a ala provoca reflexão crítica e amplia o debate público, enquanto 13,4% consideram que não há impacto relevante.

Mais de um terço (35,1%) acha que a reação seria mais intensa se outro grupo religioso fosse retratado da mesma forma. Apenas 14,8% pensam o contrário, 29,3% acreditam que seria igual, e 20,9% não sabem.

Metodologia e impacto eleitoral

A pesquisa foi realizada online em 18 de fevereiro com 656 pessoas que se declararam protestantes ou evangélicas, de 315 municípios, com margem de erro de 3,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O episódio também gerou repercussão política, já que os evangélicos são um dos segmentos mais críticos ao presidente. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês, 61% desaprovam Lula, enquanto 34% aprovam sua gestão. No geral, a taxa de desaprovação do governo é de 49% contra 45% de aprovação.

Lideranças do PT afirmam que o presidente precisará fazer gestos ao público evangélico para minimizar o desgaste político provocado pela ala. O Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, disse que há impulsionamentos de postagens críticas ao governo, e a direção do PT avalia entrar com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Resposta do governo e polêmica nas redes

O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que a repercussão negativa foi impulsionada intencionalmente, criando um debate falso sobre o tema. “É uma coisa impulsionada feita intencionalmente. É oportunismo eleitoral”, disse o ministro, defendendo que a controvérsia ganhou dimensão por motivos políticos.

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