Em meio do imbróglio sobre o Bilhete Único Intermunicipal com o início da do Jaé, a nova bilhetagem eletrônica nos meios de transportes municipais do Rio, o secretário estadual de Transportes Washington Reis diz que não há como integrar o atual sistema como o novo da prefeitura até 1 de fevereiro. A data foi escolhida pela prefeitura do Rio para o início do uso exclusivo do novo cartão em todos os modais municipais como ônibus, BRT, vans e VLT.
— Terá que adiar esse prazo. Nessa data será impossível começar essa operação. Estamos licitando a bilhetagem do estado e que será 100% integrada, mas com o Riocard não há como fazer — diz Reis.
O imbróglio
A menos de um mês do início da exclusividade do Jaé nos modais municipais do Rio, o futuro das integrações entre os transportes de concessão da prefeitura com os do governo estadual continua uma incógnita. A partir de 1º de fevereiro, nos ônibus da cidade do Rio, BRTs, vans municipais e VLT o usuário só poderá pagar a passagem em dinheiro ou usando o cartão da nova bilhetagem. O Riocard não poderá mais ser usado nesses modais, mas continua sendo aceito no metrô, linhas intermunicipais, trens e barcas.
A mudança da bilhetagem, segundo a prefeitura, é para aumentar a transparência, como os reais números de passageiros por linha. No entanto, apesar de ter sido anunciado em julho de 2023, a prefeitura e o governo estadual ainda não se acertaram sobre como será a integração entre os modais com o cartão Jaé. A exclusividade do uso da nova bilhetagem estava prevista para ocorrer em 2024, mas foi adiada para o próximo mês. Mesmo assim, ainda não há previsão de que o cartão será aceito nos modais estaduais.
Cerca de três milhões de usuários terão de adquirir o novo cartão. Enquanto isso, Jaé e RioCard não sabem como será a integração dos beneficiários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI), concedido pelo governo estadual. Essa parcela representa cerca de 100 mil passageiros, segundo estimativa do município, equivalente a 3,5% dos usuários.
Em meio ao impasse entre prefeitura e governo estadual, a secretaria municipal de Transportes do Rio cobrou que o Metrô Rio instale os validadores do Jaé nas catracas das estações. No ofício enviado em novembro, o município diz que se o pedido não for aceito, poderá encerrar a integração entre o modal e determinadas linhas de ônibus da Zona Sul. Desde 2024, com o fim do serviço “Metrô na Superfície”, passageiros de seis linhas (309, 538, 539, 548, 583 e 584) pagam apenas a tarifa do metrô ao fazer a integração entre o ônibus e as estações de Botafogo e Antero de Quintal.
O MetrôRio reage ao posicionamento da Prefeitura do Rio, que considera interromper o serviço, e destaca que tais integrações “são 100% custeadas pela concessionária, sem qualquer subsídio do poder público” e que o fim do serviço prejudicaria os passageiros ao impactar a mobilidade urbana.
No documento, a secretária Maina Celidónio diz que é preciso que até o fim de janeiro cada estação tenha ao menos três validadores da nova bilhetagem:
“A inclusão dos validadores da Jaé no Metrô era condição fundamental do acordo de integração proposto. Entretanto, passados cerca de 3 (três) meses da publicação da Resolução, o Metrô Rio ainda se encontra inadimplente com o regramento em tela, uma vez que ainda não implementou o SBD da Jaé em nenhuma das estações do serviço metroviário”, diz trecho do documento.
Após a cobrança, o Metrô oficiou o governo estadual para entender em que ponto estavam as tratativas entre os dois entes. Atualmente, cerca de 50% dos usuários do modal usam o Bilhete Único Intermunicipal e 60% dos passageiros usam o metrô associado a outro meio de transporte público. No documento enviado à secretaria estadual de Transportes, a empresa diz ter “preocupação com o tema, uma vez não há, até a presente data, qualquer informação quanto à forma de operacionalização dos benefícios tarifários relativos aos programas do Bilhete Único Intermunicipal – BUI e Tarifa Social a partir da entrada em operação do novo sistema de bilhetagem municipal”.
O Metrô ainda afirma que a não ligação entre as bilhetagens “poderia levar a um agravamento de uma situação já crítica e inédita de desequilíbrio no sistema de transportes metropolitano”.
Embora ainda não haja entendimento entre os entes, órgãos estaduais já iniciaram o processo de compra do Jaé para seus funcionários. A Fundação Saúde, empresa pública ligada à secretaria estadual de Saúde, por exemplo, deve adquirir o vale transporte para 1.292 funcionários. Já a secretaria estadual de Educação garante que seus alunos receberão o Jaé e que elabora um cronograma de entrega do cartão.
Em nota, a prefeitura do Rio diz que “este tema está em tratativas finais”. Já a secretaria estadual de Transporte diz que está em tratativas com o município “para definir a melhor solução operacional e garantir que as transações sejam processadas de forma segura e eficiente, após a implementação do Jaé. O governo estadual diz ainda que tem o compromisso de preservar o acesso “ao benefício do Bilhete Único Intermunicipal (BUI), independentemente do formato escolhido pela prefeitura para o bilhete integrado dos transportes” e que a decisão de instalar os validadores ou não é empresarial.
O Metrô Rio afirma ter procurado os dois entes para saber como se dará a integração entre os sistemas e é “preciso que os sistemas sejam integrados para evitar qualquer perda de benefícios aos passageiros”.
“Para garantir que não haja restrição ao acesso ao transporte metroviário ou perda de acesso aos benefícios tarifários, sobretudo da população de baixa renda ou residente na Região Metropolitana, o MetrôRio entende ser fundamental que haja alinhamento prévio entre Município e Estado do Rio de Janeiro, de modo que seja desenvolvida, testada e divulgada solução de integração ou de interoperabilidade entre os sistemas”, diz a nota da concessionária.
Com informações de O Globo





