Na noite desta terça-feira (15), um protesto contra o plano de remoção de moradores da favela do Moinho, no centro de São Paulo, resultou em um violento confronto entre manifestantes e a Polícia Militar. O ato, que reuniu cerca de 200 pessoas, entre moradores e apoiadores de movimentos sociais, teve início de forma pacífica, com os manifestantes marchando pela avenida Ipiranga em direção à Câmara Municipal de São Paulo. No entanto, ao passarem pelo viaduto Nove de Julho, a situação se deteriorou, quando motociclistas tentaram furar a manifestação, iniciando uma série de tensões.
De acordo com testemunhas, o confronto começou quando um dos manifestantes se aproximou de um policial, o que levou à reação imediata do PM com um cassetete. A partir daí, a situação se agravou rapidamente. “O que era para ser um ato de protesto pacífico se transformou em um caos”, relatou Flávia Santos, uma das líderes comunitárias da favela e moradora do local. Em seguida, a Polícia Militar disparou balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta, o que gerou pânico e causou uma correria entre os presentes.
Apesar da violência, os líderes do protesto conseguiram chegar até o Palácio Anchieta, sede da Câmara Municipal, onde conseguiram negociar com a polícia a entrada de uma comissão de manifestantes. A promessa foi de que os manifestantes seriam recebidos por vereadores, o que levou o grupo a decidir retornar para a favela, satisfeitos com o resultado. “Atingimos nosso objetivo, que era chamar a atenção para nossa causa”, declarou Flávia Santos.
Entre os manifestantes estava Harold de Araújo, de 23 anos, morador da favela do Moinho, que foi ferido durante a confusão. Segundo Araújo, a proposta de remoção do governo Tarcísio de Freitas é insustentável para muitos moradores, que não têm condições financeiras de arcar com o aluguel de um novo imóvel. “A proposta não é boa porque não é aceitável em lugar nenhum. Como vamos pagar um apartamento, se não temos nem o suficiente para sobreviver?”, questionou o jovem, que tem um emprego como auxiliar de serviços gerais e ganha um salário mínimo para sustentar a si mesmo e à sua mãe, que não possui renda.
Por outro lado, o governo estadual alega que a grande maioria dos moradores já aceitou a proposta de realocação. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, 84% das famílias da favela do Moinho já aderiram ao programa habitacional oferecido, com 703 famílias já formalizando sua adesão. A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) afirma que as mudanças serão feitas de forma gradual e acompanhadas por assistentes sociais para garantir que as famílias recebam o apoio necessário.
No entanto, parte da comunidade permanece resistente à remoção, temendo que o processo aconteça sem compensação justa e de forma forçada. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que a PM esteve presente para garantir a segurança do ato e dos moradores da região, e que equipes da Força Tática foram deslocadas para o local.
A situação na favela do Moinho, que já foi marcada por incêndios e disputas territoriais, permanece tensa, enquanto o governo estadual tenta implementar o plano de realocação de moradores. Em meio aos confrontos e à polarização da comunidade, o futuro da favela ainda está em aberto.
Com informações da Folha de São Paulo





