Saiba o que a CPI apurou sobre os indícios de corrupção nos hospitais federais do Rio

O foco da CPI se voltou aos hospitais federais principalmente após o depoimento do ex-governador Wilson Witzel quando ele afirmou que as unidades “têm dono”. Para a CPI, é possível que o mesmo grupo investigado e denunciado pelo MPF por fraude na Saúde do Rio também atuasse nos hospitais federais do estado. Um dos principais…

O foco da CPI se voltou aos hospitais federais principalmente após o depoimento do ex-governador Wilson Witzel quando ele afirmou que as unidades “têm dono”. Para a CPI, é possível que o mesmo grupo investigado e denunciado pelo MPF por fraude na Saúde do Rio também atuasse nos hospitais federais do estado.

Um dos principais personagens que aparecem nas duas investigações é o empresário Mario Peixoto, acusado pelo MPF de comandar os esquemas na Saúde. Durante todas as investigações durante o impeachment de Witzel, Peixoto negou que atuasse em qualquer esquema de corrupção. Para a CPI, no entanto, ele possui forte influencia na empresa Atrio que assinou contratos em 2019 com o Hospital de Bonsucesso de quase R$ 17 milhões e com aditivos chegou a R$ 20,4 milhões.

Entretanto, segundo o relatório da CPI Covid, a empresa não havia ganho a licitação, mas a vencedora foi inabilitada por deixar de apresentar documentos. A Atrio então foi contratada através de adesão a uma licitação do Into. Ainda segundo os senadores, os contratos foram firmados após a troca de comando no Hospital de Bonsucesso.

“Havia ainda, segundo relatos do ex-Ministro Gustavo Bebbiano, indícios de envolvimento da milícia na gestão do Hospital de Bonsucesso”, diz trecho do documento.

A inabilitação da empresa vencedora do contrato foi assinada por Jonas Roza, então Superintendente do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro. Os senadores apontam que um relatório financeiro do COAF aponta “e para movimentação atípica de R$ 1,9 milhão de Jonas Roza, com vinte depósitos, em quatro meses, em favor da empresa GAS Consultoria Bitcoin, cujo sócio foi recentemente preso pela Polícia Federal, na Operação Kryptos“

Também há suspeita na compra de testes para a Covid-19 pelos hospitais. Segundo o relatório, sob justificativa da pandemia, foi feito o pedido de compra de R$ 5,47 milhões em testes diretamente pelo HGB sem licitação:

“O Hospital Federal de Bonsucesso e o Hospital Federal dos Servidores não demandaram ao Ministério da Saúde a utilização do estoque de testes RT-PCR para diagnóstico de covid-19, tendo realizado aquisições de testes por dispensa de licitação, respectivamente, nos valors de R$ 1,2 milhão e R$ 997 mil. Segundo as apurações, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS concluiu que o processo de compra teria induzido a contratação de fornecedor específico, inviabilizando a concorrência entre empresas ”, diz o documento.

A CPI também aponta que a unidade de Bonsucesso, apesar de ter sido anunciada como referencia para a Covid-19. Na prática, nunca atendeu a quantidade de pacientes que poderia. Apesar disso, diversos pacientes foram transferidos e leitos ficaram vazios:

“A unidade havia liberado 240 vagas para tratamento da covid-19. No entanto, em maio de 2020, dos 240 leitos existentes, apenas 18 pacientes estavam internados por covid-19 e 17 estavam na emergência. Ou seja, na prática, com a baixa oferta de leitos, o hospital de Bonsucesso não foi referência para covid-19, tampouco atendeu à população nos demais serviços, impactando a assistência à saúde.

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