Quem diria que a pacata Areal, com apenas doze mil habitantes, estaria prestes a ofuscar cidades serranas bem mais badaladas como Petrópolis ou Teresópolis em charme? Pois é, a “Capital da Uva” segue firme no propósito de unir colinas as fluminenses ao glamour europeu, sem a pretensão de parecer o velho continente, mas flertando firme com sucesso. Em pouco tempo, vinícolas temáticas brotam como parreirais estratégicos na paisagem.

Mas atenção: não se deixe enganar pela calma relativa. A história do lugar é moderna, começou em 1992, mas a ambição, essa sim já vinha de longe: transformar um antigo ponto de trocas de diligências e cafés coloniais em uma rota turística sofisticada. Afinal, quem precisa de metrô quando se tem uma “Rock Street” assinada por nada mais nada menos que o pai do Rock in Rio e condomínios como o “Borgo del Vino” em estilo toscando e sotaque italiano?

E para completar o cenário de enoturismo com toque cosmopolita, há projetos em curso que prometem trazer Portugal, França e até a Argentina para compor uma verdadeira “Cidade das Nações”, com condomínios temáticos e até um Museu do Vinho disputando espaço no topo das montanhas.

Areal evolui rapidamente de cidade de passagem para destino enoturístico de destaque, mesclando história moderna, infraestrutura temática e clima de serra. Vale a visita? Para quem busca calmaria com qualidade, vinhos bons, estética europeia e projetos ambiciosos, sim — e o melhor: a menos de duas horas da Guanabara.

Vinícolas se espalham por município fluminense | Reprodução

História da cidade

O território de Areal era originalmente parte de Paraíba do Sul e, posteriormente de Três Rios, ganhando identidade própria apenas em 10 de abril de 1992, quando se tornou município. Sua origem remonta ao fim do ciclo do ouro em Minas Gerais, quando colonizadores migraram em busca de terras produtivas no Rio de Janeiro. Passou por ciclos de café e cana, assentando-se junto ao rio Piabanha, onde funcionava uma parada de diligências que dava nome ao lugar: o “areal” onde as carroças faziam pausa.

Desde então, o desenvolvimento foi lento, até a recente reviravolta com a vitivinicultura que impulsionou mudanças demográficas, turísticas e econômicas. Ainda que a densidade populacional seja baixa (cerca de 106,8 hab/km² em 2022), o crescimento recente indica uma cidade que ganha força e notoriedade.

O que é o projeto da ‘Cidade das Nações?’

Areal aposta em condomínios temáticos para se consolidar como polo multicultural da serra. A ideia é replicar vilas ao estilo da Toscana e, em seguida, criar núcleos franceses, portugueses e até argentinos, formando uma verdadeira “Cidade das Nações” do vinho.

O prefeito Gutinho Bernardes (eleito em 2020) tornou esse ideal prioridade, buscando parceiros internacionais, chefs como Roland Villard (Le Cordon Bleu) e arquitetos renomados. Assim, além da italiana, já desponta uma vila francesa em planejamento, fora um projeto português prestes a nascer.

Por que e quando Areal foi escolhida a ‘Capital da Uva’ do Rio?

Em 2021, o município foi oficialmente reconhecido como “Capital da Uva” do Rio de Janeiro após registrar mais de 30 hectares plantados e cerca de 100 mil pés de uva de variadas cepas. A Syrah é até o momento, a campeã da Serra.

Esse crescimento acelerado, aliado à instalação de ao menos 12 vinícolas em formação, consolidou Areal como principal destino do enoturismo fluminense, atraindo amantes do vinho como um certo Galvão Bueno que, empolgado, divulgou um vídeo em suas redes sociais enaltecendo a cidade: “Areal é o novo terroir que está sendo criado no Brasil. Estou achando encantador”, afirmou o locutor.

Areal se consolidou como ‘Capital da Uva’ | Reprodução

Os condomínios temáticos

O Borgo del Vino foi o primeiro grande sucesso: idealizado por empreiteiros inspirados nas vilas medievais da Toscana, foi lançado, com 160 lotes vendidos em apenas duas horas e meia. Localizado a cerca de 800 m de altitude, inclui vinhedos, hotel, spa, pizzaria, capela, torre toscana e vista panorâmica de 360°. Um pedaço da Itália encravado na serra.

Outro projeto em execução é o condomínio Quinta de Portugal, inspirado em vilas da região do Douro que pretende criar uma experiência luso-fluminense, com terá 124 lotes de 500 a 3 mil metros quadrados, dos quais 60% já foram vendidos. o Quinta Portuguesa contará com restaurante, oliveiras e vinhedos para contemplação e produção. A ideia é que os proprietários possam ter participação direta nas épocas de colheita e degustação.

O que mais vem por aí?

Além dd Borgo del Vino e da Quinta de Portugal, o prefeito Gutinho conta que já há projetos em andamento para outros três condomínios de alto luxo com inspiração em Portugal, um francês e outro argentino. Isso fora outros 10 condomínos temáticos em fase de licenciamento. Lotes que antes custavam em torno dos R$ 80 mil, hoje saem a partir dos R$ 250 mil.

O cenário mantém a fórmula de condomínios com arquitetura inspirada na Europa, ou na Argentina, vinícolas e toda a infraestrutura de serviços de alto gabarito porque, afinal, ninguém é de ferro.

O museu do vinho de Roberto Medina

O idealizador do Rock in Rio, Roberto Medina, está transformando sua fazenda Dreamland, em Areal na Vinícola Rock in Rio, com previsão de inauguração já no próximo ano. O projeto inclui não só produção e hospedagem, mas um Museu do Vinho, e uma área chamada “Rock Street” em homenagem ao festival. Medina sonha alto e mira atrair turistas internacionais.

Onde fica?

Areal situa-se no Centro‑Sul Fluminense, cerca de 100 km do Rio de Janeiro e 42 km de Petrópolis. A altitude média é de 444 m, com relevo ondulado, localizado às margens do Piabanha e próximo à BR‑040 e Estrada União Indústria.

Melhor época para viajar e por quê

A região tem clima de serra: temperaturas médias entre 18 °C e 26 °C, com verões chuvosos e invernos secos. A poda invertida favorece a colheita no inverno — época de maturação ideal —, tornando junho a setembro os melhores meses para visitar.

O que devo saber antes de ir?

O clima da região é típico de serra, com noites frescas mesmo no verão, por isso é recomendável levar ao menos um agasalho leve. O transporte pode ser feito por ônibus rodoviários que ligam diretamente o Rio de Janeiro à cidade, com passagens a partir dos R$ 50.

É aconselhável fazer reservas com antecedência. Para quem busca liberdade para explorar a região e seus arredores, a viagem de carro leva menos de duas horas do Rio e é a melhor pedida.

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