A história da Chegada do Papai Noel no Maracanã é tão grandiosa quanto um peru de Natal inflado demais. Tudo começou em 1956, quando O Globo resolveu que era hora de levar o Bom Velhinho para passear pelas ruas da Guanabara num cortejo que incluía presépio vivo, fogos e carros particulares. A ideia do marketing do jornal deu certo. E em 1965, ele já ousava descer de helicóptero no Parque do Flamengo, saudado por balões coloridos e alguns pescadores perplexos. Dois anos depois, em 1968, o Maracanã virou palco oficial da acrobacia natalina. E nem a chuva segurou as mais de 100 mil pessoas, a maioria crianças, que vibraram com Carequinha, Ted Boy Marino e até show de cães amestrados da PM naquela primeira edição.

O auge veio em 1978, quando 250 mil pessoas lotaram o estádio para ver Lucinha Lins e Paulo Gracindo apresentando um espetáculo com 150 bailarinas, Balão Mágico e Os Trapalhões. Era o Natal padrão Fifa. Nos anos seguintes, diversos artistas se apresentaram no evento como Lucinha Lins, Trem da Alegria, Jairzinho e Simony, e até alguns nomes improváveis como o Barão Vermelho, Raul Seixas e o rei Roberto Carlos.

O ciclo clássico terminou em 1987, engolido pelos custos de produção, pela concorrência dos Papais Noéis dos shoppings e pela Árvore da Lagoa, que havia virado o novo símbolo natalino da cidade. Em 2008, houve uma tentativa nostálgica de ressuscitar a tradição, mas ficou mais para matinê de lembranças do que para espetáculo nacional. E assim, o Papai Noel do Maracanã entrou para a história como um dos mais improváveis e grandiosos shows natalinos já realizados no Brasil. Uma mistura de circo, música, futebol e marketing que só mesmo o Rio poderia inventar.

Até Raul Seixas se apresentou na chegada do Papai Noel | Crédito: Reprodução

Como tudo começou?

Essa pouca gente vai lembrar, mas o local de estreia dessa acrobacia natalina não foi exatamente no Maracanã, mas sim no Parque do Flamengo e só depois, em 1968, o evento migrou para o estádio.

No dia 1º de dezembro de 1956, o jornal O Globo promoveu pelas ruas da Guanabara uma Parada de Natal, com direito a presépio vivo num dos carros, queima de fogos e um cortejo de carros particulares.

Na edição de 7 de dezembro, o jornal destacava, no alto da página 11: “Em trenó dourado, Papai Noel visitou a Zona Sul”, registrando o entusiasmo com que a população recebeu a Parada, e que se reproduziu em todas as áreas, inclusive o subúrbio, por onde o cortejo passava.

Em 1965, a festa se concentrou no então recém-construído Parque do Flamengo, onde Papai Noel desceu pela primeira vez de helicóptero e foi saudado por uma multidão com acenos e uma revoada de balões coloridos.

Quando migrou para o Maracanã?

Em 1968 o evento foi transferido por razões logísticas para o Maracanã. E na manhã do dia 1º de dezembro daquele ano, nem a chuva arrefeceu os ânimos da criançada.

Já naquela edição, havia mais de 100 mil pessoas presentes. Além da chegada do Bom Velhinho, as atrações incluíram o famoso palhaço Carequinha, o lutador de tele catch (que tinha seu espaço na TV brasileira da época) Ted Boy Marino, apresentações de cães amestrados da Polícia Militar, cama elástica da Escola da Aeronáutica, revoada de pombos, balões e uma disputa entre os dentes de leite de Vasco e Flamengo.

A festa era patrocinada principalmente pela Coca-Cola, tanto que quando o evento passou a ser realizado no Maracanã, um grande balão com o logotipo da marca era solto para flutuar sobre o estádio durante as atrações.

Precisamente as 10h05 Papai Noel desceu de um helicóptero do Governo da Guanabara e pisou o círculo central do gramado do Maracanã sob grande ovação.

Um recorde no Maracanã

Nos anos seguintes o evento não parou de crescer. Edições da Chegada do Papai Noel começaram a ser organizadas em cidades por todo o Brasil. Mas nada semelhante ao verdadeiro fenômeno que acontecia no Maracanã. Por razões evidentes.

Em 1978 foi registrado um recorde no estádio: 250 mil pessoas foram ao Maracanã receber o Papai Noel, num espetáculo que teve como mestre de cerimônias, os atores Lucinha Lins e Paulo Gracindo; apresentação de um grupo de 150 bailarinas; show do Balão Mágico e esquetes dos Trapalhões (Dedé, Didi, Mussum e Zacarias) entre apresentações de bandas militares e da PM.

Um sucesso nacional 

A partir dos anos 1980 a Chegada do Papai Noel no Maracanã se tornou um sucesso tão grande que passou a ser transmitida ao vivo pela TV Globo, atraindo mais anunciantes de peso, como as Casas Sendas.

Em 1987 a festa foi de Papai Noel, mas o show foi de Xuxa, aclamada pela multidão, numa festa que teve também a participação dos astros mirins Jairzinho e Simony, Juninho Bill, do grupo infantil Trem da Alegria e shows circenses.

Ao longo de sua existência a Chegada do Papai Noel no Maracanã teve apresentações de diversos artistas além daqueles diretamente ligados ao universo infantil, alguns até curiosos para o perfil do espetáculo como As Frenéticas, Raul Seixas (sim!) e até o Rei Roberto Carlos (sim 2!!) em mais de uma edição.

Em 1987, Xuxa saiu aclamada do Maracanã | Crédito: Reprodução

O evento durou quantos anos?

O ciclo original da Chegada do Papai Noel começou em 1956 nas ruas, migrou para o Parque do Flamengo, depois para o Maracanã a partir de 1968, e seguiu com edições até 1987, quando o formato clássico deixou de ser transmitido nacionalmente.

Após 1987 o evento foi descontinuado em função dos altos custos e da mudança cultural, já que os shoppings passaram a organizar suas próprias “chegadas do Papai Noel” e, mais tarde, a Árvore da Lagoa se tornou o novo símbolo natalino do Rio.

A tentativa de resgate

Em 2008 houve uma tentativa de reviver a antiga tradição que havia marcado gerações. Diferente das edições clássicas, que lotavam o estádio com shows grandiosos, helicópteros e artistas de enorme popularidade, o evento de 2008 foi concebido como uma celebração nostálgica e simbólica.

A Coca-Cola, que já havia sido patrocinadora histórica, voltou a apoiar a iniciativa, mas em escala menor, já que naquele período a empresa concentrava seus investimentos natalinos na Árvore da Lagoa. O público até que compareceu, mas não em massa como nos anos de auge, e o evento acabou sendo visto mais como uma homenagem à memória da festa do que como um retorno definitivo.

Assim, o evento de 2008 foi uma edição especial, marcada pelo saudosismo e pela tentativa de resgatar uma tradição carioca, mas não conseguiu recuperar a força cultural e popular das edições clássicas. Ele encerrou de vez a história da Chegada do Papai Noel no Maracanã, deixando como legado a lembrança de um dos maiores e mais bacanas espetáculos natalinos já realizados no Brasil.

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