Rússia ataca Kiev e Kharkiv, na Ucrânia, em meio a negociações de paz

O primeiro dia de negociações foi marcado por impasses, especialmente em torno da questão territorial

Em meio às negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, realizadas nos Emirados Árabes Unidos com intermediação dos Estados Unidos, Moscou lançou um ataque maciço de drones e mísseis contra Kiev e Kharkiv, as duas maiores cidades ucranianas, na madrugada deste sábado.

A ofensiva surpreendeu autoridades ucranianas e provocou forte reação diplomática. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, afirmou que o ataque contradiz qualquer esforço de diálogo. “Para os ucranianos, foi mais uma noite de terror russo. Seus mísseis atingiram não apenas nosso povo, mas também a mesa de negociações”, declarou.

Segundo informações preliminares, ao menos uma pessoa morreu e pelo menos 15 ficaram feridas. Explosões ainda eram registradas nas duas cidades nas primeiras horas da manhã.

Durante as conversas tripartites, a Rússia reiterou que não pretende abrir mão do controle da região de Donbas, no leste da Ucrânia, já amplamente dominada por suas forças. A posição reforça as dúvidas sobre o real comprometimento do Kremlin com um acordo de paz. Após os ataques, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pediu à comunidade internacional a implementação integral dos acordos de defesa aérea firmados com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro em Davos.

O primeiro dia de negociações foi marcado por impasses, especialmente em torno da questão territorial. Moscou exige a retirada total das forças ucranianas de Donetsk e Lugansk, regiões estratégicas do Donbas. “Sem uma solução para a questão territorial, não faz sentido esperar um acordo de longo prazo”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

A reunião em Abu Dhabi ocorre após encontros recentes de alto nível entre Zelensky e Trump, na Suíça, e entre Vladimir Putin e enviados americanos em Moscou. O último ciclo de negociações diretas entre russos e ucranianos havia ocorrido em julho de 2025, em Istambul, com avanços limitados à troca de prisioneiros e corpos de soldados mortos.

Crise energética

Os ataques acontecem em meio a uma grave crise energética na Ucrânia. Bombardeios russos contra redes e usinas de eletricidade provocaram cortes prolongados de luz e aquecimento em Kiev e outras cidades. De acordo com a prefeitura da capital, cerca de 6 mil apartamentos estão sem aquecimento, número que vem aumentando nos últimos dias.

Com temperaturas extremas do inverno, a situação expõe a população a riscos severos. Estima-se que mais de 600 mil moradores tenham deixado temporariamente Kiev por não conseguirem enfrentar o frio, enquanto cerca de 80% do território do país sofre impactos no fornecimento de energia.

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