RJ é o pior estado do país em taxa de reprovação no ensino médio público, revela Censo Escolar

Apesar de inúmeras evidências na literatura acadêmica em contrário, ainda hoje é comum encontrar quem defenda a repetência como um sinal de rigor acadêmico

Entre 2013 e 2023, o percentual de estudantes reprovados no Ensino Médio público caiu mais que pela metade nacionalmente, de 12,7% para 5,7%, informa o colunista Antônio Gois, do jornal O GLOBO. Mesmo que ainda insuficiente, é um movimento positivo e significativo para um país que já ostentou indicadores de repetência superiores ao de países da África Subsaariana. A queda aconteceu em todos os estados, com exceção de dois: Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Esses são dados do Censo Escolar, organizados no Anuário Brasileiro da Educação Básica, divulgado na semana passada pelo movimento Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna.

Essa insistência anacrônica na pedagogia da repetência (termo cunhado por Sérgio Costa Ribeiro em artigo de 1991 para denunciar o exagero no uso dessa estratégia comprovadamente ineficaz para a melhoria do desempenho do estudante) é a principal explicação estatística para a rede estadual do Rio de Janeiro ter voltado a ocupar o penúltimo lugar no ranking do Ideb no Ensino Médio, na edição de 2023. No quesito taxa de reprovação nesta etapa, o Rio consegue hoje ser o pior do país, com 14,1%, seguido de Santa Catarina (13,6%) e Rio Grande do Norte (13,5%).

Desse trio, como já explicitado, Rio e Rio Grande do Norte foram as únicas unidades da federação a terem registrado aumento na taxa (de 13,6% a 14,1%, e de 11,9% para 13,5%, respectivamente). Santa Catarina apresentou redução pífia (de 15% para 13,6%), o que também ajuda a explicar os péssimos resultados no Ideb, considerando um estado com nível de riqueza superior à média nacional. Esses três estados também se saem mal em outro indicador que, somado à reprovação, indica a taxa de insucesso na rede pública: o abandono. O Rio Grande do Norte aqui aparece como pior (9,1% de estudantes tendo abandonado o Ensino Médio estadual em 2023), enquanto Rio e Santa Catarina continuam com índices superiores à média nacional (5,1% e 5,0%, respectivamente, frente a 3,8% no Brasil).

Apesar de inúmeras evidências na literatura acadêmica em contrário, ainda hoje é comum encontrar quem defenda a repetência como um sinal de rigor acadêmico. Para esse argumento parar em pé, altas taxas de reprovação seriam compensadas por melhores indicadores de aprendizagem. Mas não é o que ocorre. Nem aqui, nem no mundo. É preciso ponderar que nem nossas melhores redes encontram-se em patamar adequado de qualidade, mas algumas registraram avanços mais robustos. As que mais cresceram no indicador de desempenho do Ideb (avaliado por testes de Português e Matemática) entre 2013 e 2023 foram Alagoas, Piauí, Paraná, Pará, Espírito Santo e Goiás. Todas essas, sem exceção, registraram quedas nas taxas de reprovação superiores à média nacional, e aumentos no indicador de aprendizagem de 0,6 ou 0,7 ponto (numa escala de zero a dez).

Santa Catarina, segunda rede estadual com mais reprovação, oscilou apenas 0,1 ponto nesse recorte. O Rio Grande do Norte avançou 0,5, mas tendo saído de um patamar muito baixo. O Rio de Janeiro, de novo, conseguiu ser o pior de todos na variação entre 2013 e 2023: registrou queda de 0,4 ponto. Ou seja, piorou tanto na aprovação, quanto na aprendizagem. A pedagogia da repetência, mais uma vez, se mostrou péssima estratégia.

Com informações do GLOBO.

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