A letalidade violenta no Rio de Janeiro caiu 5,1% em 2023 e atingiu o menor nível desde 1991, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) divulgados nesta sexta-feira (19). O indicador, que soma homicídios dolosos, lesão corporal seguida de morte, latrocínio e morte por intervenção policial, somou 4.257 casos no ano passado.
Os homicídios dolosos, no entanto, subiram 7,3% e chegaram a 3.283, com destaque para a Zona Oeste da capital, dominada pela milícia. A região registrou 726 assassinatos em 2023, um aumento de 43,2% em relação ao ano anterior. A Baixada Fluminense, que também sofre com a ação de grupos paramilitares e do tráfico, teve 902 homicídios, mas com uma queda de 1,4% em comparação com 2022.
As demais áreas da região metropolitana tiveram alta nos homicídios: 10,6% na RISP (Região Integrada de Segurança Pública) 1, que abrange o Centro, a Zona Sul e a Zona Norte do Rio, e 5,7% na RISP 2, que inclui Niterói, São Gonçalo e municípios vizinhos.
O que contribuiu para a redução da letalidade violenta foi a diminuição das mortes por intervenção de agentes do Estado, que caíram 34,7% em 2023. Foram 869 casos, contra 1.330 em 2022. Essas mortes representam 20,4% do total de vítimas de violência letal no estado.
“Há uma concentração de aumento dos homicídios nas áreas que a gente identificou conflitos entre os grupos armados e entre as forças policiais”, afirma sociólogo Daniel Hirata, coordenador do Geni/UFF (Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense). Ele completa:
“E apesar da queda da letalidade violenta, se observamos os dados por região, ela também cresceu onde mais houve esses conflitos”.
Em nota, o governador Cláudio Castro (PL) comemorou a redução no indicador de letalidade violenta. Ele atribuiu a queda aos investimentos na área de segurança pública e a recriação de uma secretaria específica para a área.
“A segurança pública do Rio de Janeiro vem alcançando nos últimos anos reduções históricas na Letalidade Violenta e isso precisa sempre ser destacado, pois não é um fato trivial. Já investimos mais de R$ 2,5 bilhões em tecnologia, reformas de batalhões e delegacias e equipamentos de proteção para os policiais. Além disso, criamos uma nova secretaria de Segurança Pública, enxuta, para promover uma integração maior entre as polícias Civil e Militar”, disse.
Por fim, o ISP também indicou um aumento de 27,5% no número de fuzis apreendidos em 2023. Ao todo, foram 610. Já o total de apreensão de armas caiu 27,6% em comparação ao ano anterior: enquanto em 2022 foram 6.795 armas apreendidas, agora esse número foi de 6.281.
O ISP também apontou que as polícias Civil e Militar realizaram 36.952 prisões em flagrante no ano e recuperaram 14.675 veículos roubados.
O ISP também indicou um aumento no número de desaparecidos e de extorsão. No primeiro, o índice subiu 10,7% em 2023, com 5.815 casos, enquanto o segundo teve um crescimento de 41,7%, com 3.264.
Embora esses dois índices não se restrinjam à prática de grupos criminosos, já que podem ocorrer por outros motivos e serem cometidos por diversos autores, eles mostram o retrato de como as facções e paramilitares atuam ao analisar os números por região. O instituto não diferencia os tipos de desaparecimento.
Com informações da Folha de S.Paulo





