Entre janeiro e setembro de 2025, as polícias do Rio de Janeiro apreenderam 593 fuzis, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). A média de duas apreensões por dia marca o maior volume registrado desde o início da série histórica, há 18 anos.
Operações recentes mostram aumento da violência armada
Nesta semana, operações policiais resultaram na apreensão de 31 fuzis em comunidades controladas por facções e milícias. Na segunda-feira (13), 12 fuzis foram encontrados com milicianos que dormiam em uma construção abandonada na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.
Em outro episódio, um homem armado trocou tiros com policiais durante uma perseguição que começou em Mesquita, reduto do Comando Vermelho.
No fim de semana anterior, apreensões ocorreram em diversas localidades, como Jardim América, Sebinho, Guaxindiba, Santa Luzia, Corte Oito, Serrinha, Primavera, Dendezinho, Ficap, Kelson, Chapadão, Tirol e Fubá.
Fuzis são usados em crimes cotidianos e violentos
O uso de fuzis já se tornou frequente em roubos de cargas, veículos e celulares, além de confrontos armados. A presença dessas armas também foi confirmada em crimes brutais: dois homens em situação de rua foram mortos enquanto dormiam sob um viaduto em Irajá, e um terceiro ficou gravemente ferido.
Disputa territorial intensifica violência
Bruno Langeani, consultor do Instituto Sou da Paz, afirma que a fragmentação do poder entre facções aumenta a frequência de confrontos no estado. “Essa guerra acontece com muito mais frequência por causa dessa disputa territorial”, explica.
Rio lidera apreensões de fuzis no Brasil
O Rio de Janeiro concentra 40% dos fuzis apreendidos no país até agosto, segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública. São Paulo, o segundo colocado, registrou 310 apreensões no mesmo período.
Criminosos montam fuzis no país
Parte do arsenal apreendido resulta de uma estratégia de importação de peças, com montagem de armas no Brasil. Uma operação da Polícia Federal revelou uma fábrica clandestina em Santa Bárbara d’Oeste (SP) capaz de produzir até 3,5 mil fuzis por ano, destinados a facções do Rio, incluindo Complexo do Alemão e Rocinha.
Mudanças na legislação e controle de munição
Até 2019, civis não podiam adquirir fuzis, mas a legislação foi alterada no governo Bolsonaro, permitindo que caçadores e atiradores esportivos comprassem até 30 unidades. Langeani destaca que o controle da munição poderia reduzir a violência de forma significativa em curto prazo.






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