Nunes é reeleito prefeito de SP ao derrotar Boulos por 59,35% dos votos válidos contra 40,65%

Diferença foi de mais de 1 milhão de votos

O prefeito Ricardo Nunes (MDB), 56, derrotou Guilherme Boulos (PSOL), 42, no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo e se reelegeu neste domingo (27) para um novo mandato de quatro anos, segundo projeção do Datafolha.

Com 100% das urnas apuradas, Nunes totalizou 59,35% e Boulos, 40,65%.

Nunes assumiu a administração da capital paulista em maio de 2021, após a morte por câncer de Bruno Covas (PSDB), de quem era vice-prefeito. Antes disso, o emedebista nascido na periferia da zona sul foi vereador por dois mandatos e se projetou na região a partir da atividade empresarial no ramo da dedetização.

Ao contrário da campanha de 2020, quando Covas derrotou o mesmo Boulos por 60% a 40%, o pleito deste ano ficou marcado por episódios de agressividade, principalmente no primeiro turno, por causa da participação de Pablo Marçal (PRTB), alvo de uma cadeirada em debate e responsável por ofensas e factoides.

Neste domingo, houve troca de acusações entre as campanhas de Nunes e Boulos a partir de uma declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicamos), aliado do prefeito, dizendo, sem apresentação de provas, que o PCC (Primeiro Comando da Capital) orientou voto no candidato do PSOL.

Segundo o governador e a Secretaria de Segurança Pública, a inteligência da polícia interceptou esse tipo de mensagem.

Boulos chamou a declaração de “uma vergonha” e disse ser o “laudo falso” do segundo turno, em referência ao documento forjado sobre uso de cocaína divulgado na primeira etapa da campanha por Marçal. O deputado ajuizou uma ação na Justiça Eleitoral pedindo a inelegibilidade de Nunes e a cassação de Tarcísio.

No último dia 6, a capital paulista teve a disputa mais acirrada desde a redemocratização. Com 29,48%, Nunes teve 25 mil eleitores a mais que Boulos (29,07%), que superou Marçal (28,14%) por 57 mil votos.

Já o segundo turno opôs diretamente o presidente Lula (PT), que patrocinou a candidatura de Boulos, e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que deu seu apoio envergonhado a Nunes. Mas a corrida paulistana ficou longe de parecer um terceiro turno da eleição presidencial de 2022, vencida pelo petista, que na capital superou o adversário com alguma folga.

Que a cidade mais importante do país passe a ser palanque de Bolsonaro e da direita é um revés para os planos de reeleição de Lula em 2026. Mais que isso, o resultado deste domingo é uma vitória política para Tarcísio, virtual candidato ao Palácio do Planalto e principal investidor de Nunes. O prefeito, por sua vez, declarou que essa pode ser a última eleição que disputou.

O mergulho de Tarcísio contrastou com a hesitação de Bolsonaro, que sentiu a pressão do seu público pró-Marçal. A ausência do ex-presidente contribuiu para o plano do MDB de diluir a rejeição a ele, tratando-o como um entre tantos apoiadores de uma frente ampla. Mas isso colocou a perder a vantagem prevista para Nunes por ter conseguido que o PL não lançasse um bolsonarista.

De qualquer forma, a peça colocada por Bolsonaro na corrida paulistana, o coronel da reserva da Polícia Militar Ricardo Mello Araújo (PL), é agora vice-prefeito eleito. A marca do ex-presidente tende a se ampliar no novo governo Nunes —que na campanha já fez concessões ao bolsonarismo como voltar atrás na opinião sobre obrigatoriedade da vacina e desconversar sobre a infundada fraude na votação de 2022.

Com informações da Folha de São Paulo

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