Revolta na Unimed Ferj: doentes com câncer relatam humilhação e descaso; vídeo

Clínicas descredenciadas, falta de medicamentos e estrutura precária no Espaço Cuidar Bem, em Botafogo, motivam denúncias graves de pacientes contra a Unimed Ferj

Pacientes com câncer denunciaram nesta semana um cenário de negligência e caos na rede Unimed Ferj, no Rio de Janeiro. Segundo relatos, clínicas e médicos foram descredenciados, o fornecimento de medicamentos interrompido e o novo centro de oncologia da operadora, o Espaço Cuidar Bem, em Botafogo, não oferece estrutura adequada para o atendimento. A reportagem foi exibida primeiro pelo Bom Dia, Rio e confirmada por Agenda do Poder.

Protestos e desespero no atendimento

Na última terça-feira (26), a confusão no local ganhou repercussão após um vídeo mostrar pacientes revoltados, gritando e chorando. Em meio ao tumulto, uma pessoa jogou equipamentos no chão em protesto. “Não vou sair daqui enquanto eu não tiver meu tratamento!”, gritou uma paciente. Outra, em prantos, afirmou: “Eu não vou perder minha mãe por irresponsabilidade de vocês!”. Assista:

Relatos de quem precisa de tratamento

Entre os depoimentos mais fortes está o da advogada Flávia Bandeira, segurada desde 2014, que contou ter comprado o próprio medicamento por falta de fornecimento. “O espaço funciona de forma caótica. Não tem oncologista para todos, não tem medicação. Estamos pedindo socorro aos órgãos responsáveis”, disse.

Renata Aniento, assistente de pedagogia, também relatou que não recebeu remédios essenciais para controlar a dor. “Eu uso oxicodona com morfina para suportar as dores. Já perdi muita coisa, não posso perder minha vida”, desabafou.

Outro paciente, Dimitri Balby dos Santos, destacou que a substituição da Oncoclínicas pelo Espaço Cuidar Bem agravou a situação. “Não tem estrutura, organização ou experiência para o atendimento de pacientes oncológicos. Muitos não conseguem quimioterápicos ou imunobiológicos”, afirmou.

O que diz a Unimed Ferj

Em nota, a operadora confirmou que houve tumulto na unidade e que um paciente danificou equipamentos, sendo necessária a intervenção da guarda militar. A empresa declarou ainda que não há falta de medicamentos, justificando que os atrasos se devem à migração de dados após a mudança de prestador. “O cuidado com o paciente e a segurança no tratamento são nossas prioridades”, reforçou a nota.

Apesar da resposta oficial, os relatos de pacientes revelam um quadro de insegurança e desassistência que levanta questionamentos sobre a qualidade do atendimento oferecido pela Unimed Ferj em um momento crítico da vida de quem enfrenta o câncer.

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