Mais da metade dos vereadores da Câmara do Rio vai testar a força nas urnas nas eleições de outubro, querendo alçar voo da Cinelândia para as terras da Carioca, das Laranjeiras e para Brasília. Dos 51 vereadores, 26 são candidatos a outros cargos neste ano, em uma movimentação que pode provocar uma renovação significativa na composição do Palácio Pedro Ernesto a partir de 2027.
A campanha eleitoral começou oficialmente neste domingo (16), quando os candidatos passaram a poder pedir votos, realizar comícios, caminhadas, carreatas e fazer propaganda nas redes sociais. A disputa coloca vereadores de diferentes campos políticos em quatro frentes: 14 concorrem à Câmara dos Deputados, nove à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), dois ao Senado e um ao Governo do Estado.
Brasília concentra a maior debandada: 14 miram vaga na Câmara dos Deputados
A maior movimentação ocorre em direção ao Distrito Federal. Entre os 14 concorrentes à Câmara dos Deputados estão nomes de diferentes partidos, com uma lista encabeçada pelo PSD. São cinco vereadores da legenda de Eduardo Paes: Felipe Boró (PSD), Marcelo Diniz (PSD), Marcio Ribeiro (PSD), Rafael Aloisio Freitas (PSD) e Salvino Oliveira (PSD).
Do lado do PL de Douglas Ruas foram escolhidos Alana Passos e Rafael Satiê. Já na ala progressista, saem pela esquerda Rick Azevedo (PSOL), Tainá de Paula (PT) e Tatiana Roque (PSB). Formam a lista da disputa também Leniel Borel (PP), Rodrigo Vizeu (MDB), Talita Galhardo (PSDB) e Willian Coelho (Avante).
Nove vereadores tentam trocar a Câmara pela Alerj
A segunda maior frente é a Assembleia Legislativa. Nove vereadores disputam uma das cadeiras da Alerj nas eleições de outubro.
O PSD volta a liderar a movimentação, com cinco candidaturas: Joyce Trindade, Flavio Valle, Junior da Lucinha, Luiz Ramos Filho e Pedro Duarte. Também buscam cargo nas terras vizinhas Dr. Rogério Amorim (PL), Felipe Michel (PP), Leonel de Esquerda (PT) e Renato Moura (MDB).
Câmara também terá candidatos ao Senado e ao governo
A ousadia dos nobres é demonstrada nas candidaturas majoritárias, com três edis na corrida. Dois vereadores disputam as duas vagas disponíveis para o Senado Federal.
Marcos Dias (Podemos) tenta conquistar uma cadeira com o voto do eleitor moderado e de centro-direita, tendo seu irmão, o pastor Everaldo Pereira, como 1º suplente. No lançamento da candidatura, o parlamentar afirmou que a pauta da segurança pública será a principal bandeira de sua campanha e pretende levar ao Senado debates relacionados à economia e ao funcionamento das instituições.
Já Monica Benício (Psol) busca uma vaga defendendo bandeiras da esquerda fluminense, com atuação voltada para os direitos humanos, os direitos das mulheres, da população LGBTQIA+ e dos moradores de favelas e periferias, tendo como suplente a correligionária e servidora pública Vanderlea Aguiar. A parlamentar, que chegou a declarar apoio à deputada federal Benedita da Silva (PT), quer conquistar as vagas do Senado para a esquerda ao lado da petista.
A aposta mais alta entre os vereadores é a de William Siri (PSOL), único na Câmara Municipal a disputar o governo. Líder do PSOL na Casa, Siri entra pela primeira vez na disputa pelo Palácio Guanabara após dois mandatos como vereador. Nos últimos meses, percorreu municípios do estado e adotou como principais bandeiras da pré-campanha a valorização dos serviços públicos, a reestatização da Cedae, a revisão de concessões públicas, a pauta ambiental e das políticas para a Zona Oeste. Ao lado de sua vice, Juliana Carvalho (Psol), ele tem buscado se consolidar como uma alternativa de oposição.
Os vereadores que chegam à eleição com os maiores patrimônios
Levantamento do Agenda do Poder, com base nas declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra diferenças expressivas entre os patrimônios dos vereadores , que variam de cifras acima dos R$ 3 milhões a candidatos sem bens a declarar.
Entre os 26 vereadores, quem tem o maior patrimônio declarado é Tatiana Roque, com R$ 3.825.860,58 em bens — uma carteira pulverizada entre fundos de investimento, aplicações de renda fixa, previdência privada e participações em quatro imóveis. Logo atrás aparece Felipe Boró, com R$ 3.571.325,97, concentrados principalmente em dois imóveis — juntos, R$ 2,85 milhões — e um automóvel avaliado em R$ 410 mil.
Na faixa entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões aparecem outros seis candidatos: Rafael Aloisio Freitas, com R$ 1.689.170,09, a maior parte em quotas de capital de empresa; Renato Moura, com R$ 1.520.167,09, distribuídos em cinco imóveis; Felipe Michel, com R$ 1.387.183,28; Luiz Ramos Filho, com R$ 1.363.443,49; Leniel Borel, com R$ 1.192.181,12, que inclui a totalidade do capital social de uma empresa de importação e exportação avaliada em R$ 600 mil; e Marcos Dias, com R$ 1.025.250,00.
Quem mais aumentou o patrimônio
Comparando as declarações atuais com as apresentadas na eleição municipal de 2024, o grupo teve trajetórias bem diferentes — alguns candidatos multiplicaram o patrimônio declarado, outros tiveram queda.
O maior salto proporcional foi o de Salvino Oliveira. Em 2024, o vereador declarou apenas R$ 470,16, valor referente a uma aplicação de renda fixa. Na declaração deste ano, o patrimônio soma R$ 729.400,78, com a aquisição de um apartamento como único bem informado.
Rafael Satiê também teve alta expressiva. Em 2024, declarou apenas um automóvel avaliado em R$ 27 mil. Neste ano, o carro não aparece mais na lista de bens — no lugar, o parlamentar declara uma carteira de aplicações financeiras e contas de investimento que somam R$ 181.430,52, alta de 572%.
No Senado, o crescimento mais expressivo é o de Marcos Dias, que declarou R$ 1.025.250,00 em bens para 2026. A principal mudança foi a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 800 mil — em 2024, o maior bem do parlamentar era uma caderneta de poupança de R$ 105 mil.
Já na disputa pela Alerj, o maior salto é o de Rogério Amorim, cujo patrimônio passou de R$ 268.075,44 para R$ 691.337,71 — alta de 157,9%, puxada por um conjunto de novas aplicações financeiras e fundos de investimento que não constavam na declaração anterior.
Merece nota também o caso de Flavio Valle, que teve o patrimônio multiplicado por sete, de R$ 39.128,08 para R$ 274.248,51. Diferentemente dos demais, o crescimento não decorre de novos investimentos: segundo a própria declaração, a maior parte dos bens foi herdada após o falecimento do pai do vereador, em 2025.
Quedas patrimoniais
Nem todos os candidatos registraram crescimento. A maior queda percentual do grupo é a de Rodrigo Vizeu. Em 2024, o vereador declarava um automóvel de R$ 13.400,00 e R$ 47.830,43 em conta corrente. Na declaração atual, o saldo em conta desaparece, e o único bem informado é um automóvel avaliado em R$ 8.200,00 — redução de 86,6% no total declarado.
Um caso à parte é o de Monica Benício. Em 2024, a vereadora havia declarado R$ 8.506,86, entre saldo em conta corrente e cotas de uma empresa. Na candidatura ao Senado em 2026, ela não declarou nenhum bem.
Willian Coelho também teve queda, de R$ 680.400,00 para R$ 512.101,38 (-24,7%), refletindo principalmente a redução de valores em espécie e de participações societárias em relação à declaração anterior.
Eleitores vão às urnas em 4 de outubro
Caso uma parcela dos parlamentares seja eleita, a Câmara do Rio terá de recorrer aos suplentes para preencher as cadeiras que ficarem vagas a partir de janeiro. Enquanto isso, os vereadores seguem buscando fortalecer seus nomes entre os eleitores enquanto equilibram a pauta de votações de projetos para a cidade.
O eleitorado fluminense vai às urnas em 4 de outubro para escolher os próximos presidente da República, governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais. No Rio, os 26 vereadores terão agora cerca de um mês e meio para transformar a visibilidade conquistada na Câmara em votos.







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