Reuniões de diplomatas do G20 começam nesta terça para finalizar declaração conjunta da cúpula

Principal desafio é o mesmo que os negociadores viam como os pontos mais problemáticos desde antes do início da presidência brasileira do fórum: as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio

Diplomatas dos países membros do G20 estão em uma série de reuniões no Rio de Janeiro, a partir desta terça-feira (12), com o objetivo de finalizar a declaração conjunta do grupo. As negociações se concentrarão nas divergências em torno dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, temas que geraram debates durante o semestre inicial da presidência brasileira do G20.

Essas reuniões são conduzidas pelos chamados “sherpas” – representantes dos países responsáveis por coordenar a agenda e as posições diplomáticas do grupo. Após esta rodada de negociações, que deve durar até sábado (16), o documento será submetido à aprovação dos líderes de Estado na cúpula de líderes nos dias 18 e 19.

Os países do G20 têm opiniões divergentes sobre os conflitos na Ucrânia e em Gaza. Estados Unidos e países europeus defendem uma posição crítica contra a Rússia, enquanto Moscou, membro do grupo, tem vetado essa abordagem. Já o Sul Global, composto por países em desenvolvimento, tem solicitado que o conflito em Gaza também receba atenção, sugerindo um parágrafo crítico à ação militar de Israel contra os palestinos, principalmente após os ataques do Hamas em outubro de 2023. Esses pontos de vista conflitantes tornam desafiadora a busca por um consenso na declaração final.

O tema preocupa o Itamaraty. Nas duas últimas edições do G20, na Indonésia (2022) e na Índia (2023), diversas reuniões de ministros terminaram sem a publicação de um documento consensual por causa do impasse sobre a Ucrânia.

A possível repetição desse cenário significa para o Brasil o risco de que mais uma vez as divergências sobre geopolítica —agora agravadas com a guerra no Oriente Médio— ofusquem discussões do G20 em áreas como economia, saúde e ambiente.

A dificuldade foi contornada num primeiro momento com um acordo costurado em julho, segundo o qual as guerras na Ucrânia e em Gaza seriam discutidas só na cúpula de líderes em novembro.

“[Sobre] esse tema, estamos negociando com os demais países a questão dos parágrafos sobre geopolítica que constarão na declaração. É um tema importante. Se puderem olhar a declaração da presidência [do G20] que acompanha as [reuniões] ministeriais, aí está dizendo que dois temas seriam tratados e discutidos: a questão da guerra na Ucrânia e a questão da Palestina no Oriente Médio”, disse na sexta

“Então, sim, há uma discussão entre os governos para se chegar a uma linguagem consensual sobre esses dois temas.”

Às vésperas da cúpula, as opiniões divergentes permanecem, e o terreno para consenso parece ter ficado ainda mais desafiador, principalmente a partir da escalada de violência no Oriente Médio com a ofensiva militar de Israel contra o Hezbollah, no Líbano.

Segundo o governo brasileiro, virão ao Rio para a cúpula 55 representantes de países ou organizações internacionais, incluindo convidados.

O G20 é formado pelas principais economias desenvolvidas e emergentes no globo. Neste ano, também passou a fazer parte da agremiação a União Africana.

Além dos membros, o Brasil fez um convite para oito países participarem de todas as reuniões do ano. São eles: Angola, Egito, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Nigéria, Noruega, Portugal e Singapura.

Outros foram chamados especificamente para a cúpula no Rio, entre eles os sul-americanos Bolívia, Paraguai, Uruguai, Colômbia e Chile.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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