A Polícia Federal e o Ministério Público dedicam-se nos últimos dias a uma varredura no volumoso montante de restos a pagar liquidados no governo Wilson Witzel. Foram dispendidos cerca de R$ 4,5 bilhões em 2019 nesta rubrica. Há suspeições de que escritórios de advocacia tenham sido contratados por fornecedores para pagamento de propinas de até 20% dos valores pagos. Hoje, o blog do jornalista Rubem Berta mostra a suspeitíssima operação entre a organização social Instituto Lagos Rio e o escritório Tharyk Advogados Associados, que, por contrato, tem direito a 20% de todos os pagamentos pendentes de exercícios anteriores.
Segundo o blog do Rubem Berta, somente entre os meses de maio e julho de 2019, o escritório recebeu R$ 3,8 milhões do Lagos Rio. A operação foi detectada pelo compliance da própria secretaria de saúde em relatório confidencial. O documento define como “impropriedade” o conjunto de sete pagamentos a Tharyk Advogados.
De acordo com o blog, o escritório foi contratado para recuperar valores não pagos pelo estado em anos anteriores. Como remuneração, teria recebido recursos de contratos em vigor para a gestão de pelo menos duas unidades de saúde. Segundo o mesmo contrato, a OS pactuou remunerar o escritório com 20% dos valores recebidos. Todas as cobranças foram administrativas, sem necessidade de processo judicial.
Segundo o Portal da Transparência, o Instituto Lagos Rio já recebeu R$ 387,9 milhões do governo do estado na gestão de Wilson Witzel. De acordo com o blog do Rubem Berta, deste montante pelo menos R$ 22,7 milhões foram de restos a pagar.
O Instituto Rio Lagos é responsável pela gestão de inúmeras Upas e dos hospitais Carlos Chagas, em Marechal Hermes e Alberto Torres, em São Gonçalo.
O proprietário do escritório, Tharyk Jaccoud Paixão , é réu por improbidade administrativa numa ação movida pela AGU, no âmbito da Operação Zelotes, deflagrada pela PF para investigar corrupção no Conselho de Administração de Recursos Federais (CARF.






Deixe um comentário