Uma operação militar dos Estados Unidos para resgatar um aviador abatido no Irã foi classificada por autoridades americanas como uma das mais complexas da história recente do país. A missão envolveu centenas de militares, dezenas de aeronaves e até uma campanha de desinformação conduzida pela CIA para enganar forças iranianas.
As informações foram publicadas pelo Estadão com base em relatos da BBC e do The New York Times. O resgate ocorreu neste domingo (5), dois dias após um caça americano F-15E Strike Eagle ser abatido durante o conflito com o Irã.
Quem era o militar resgatado
A aeronave levava dois tripulantes, que conseguiram se ejetar após serem atingidos. O piloto foi localizado rapidamente, mas o oficial responsável pelos sistemas de armas — conhecido como “Wizzo” — permaneceu desaparecido por mais de 24 horas.
Esse militar, um coronel da Força Aérea dos EUA, ocupa o assento traseiro do caça e tem a função de selecionar alvos e programar os armamentos. Após a ejeção, ele se refugiou em uma área montanhosa e ferido, evitando contato direto enquanto tentava não ser capturado.
Sobrevivência em território hostil
Durante o período em que esteve isolado, o militar percorreu terrenos difíceis e chegou a subir uma cordilheira de cerca de 2.100 metros. Equipado com um dispositivo de comunicação seguro e um localizador, ele utilizou os recursos com cautela para não ser detectado pelas forças iranianas.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC, pilotos militares são treinados para esse tipo de situação, priorizando a sobrevivência e a evasão imediata após a queda. O aviador também portava uma arma para autodefesa.
Operação mobilizou forças especiais
A missão de resgate envolveu centenas de militares, aeronaves de combate, helicópteros e recursos de inteligência, incluindo monitoramento cibernético e espacial. A operação foi coordenada pelo SEAL Team 6, uma das forças mais especializadas do país.
Durante a aproximação das tropas, aviões americanos realizaram ataques contra comboios iranianos para impedir que chegassem ao local onde o militar estava escondido. Helicópteros voaram em baixa altitude, protegidos por aeronaves de apoio.
Terreno e riscos aumentaram complexidade
Autoridades americanas afirmaram que o terreno montanhoso, os ferimentos do aviador e a rápida mobilização das forças iranianas tornaram a missão extremamente desafiadora. Em determinado momento, dois aviões usados na operação ficaram inutilizados em uma base remota.
Para evitar que os equipamentos caíssem em mãos inimigas, os próprios militares decidiram destruí-los. Novas aeronaves foram enviadas para retirar todo o contingente com segurança.
Houve confronto durante o resgate
Há divergências sobre confrontos diretos entre forças americanas e iranianas. Enquanto autoridades dos EUA negaram combates diretos, a BBC relatou episódios de enfrentamento, incluindo a derrubada de um drone americano pela Guarda Revolucionária do Irã.
Relatos também indicam que grupos locais armados chegaram a atacar helicópteros americanos, aumentando o nível de risco da operação.
População local e apoio indireto
O resgate ocorreu em uma região com histórico de oposição ao governo iraniano, o que pode ter favorecido o aviador. Há indícios de que moradores tenham ajudado a ocultá-lo durante a fuga.
Ao mesmo tempo, o governo iraniano ofereceu recompensas para quem encontrasse o militar, mobilizando civis e intensificando as buscas.
Estratégia de desinformação da CIA
Um dos pontos mais incomuns da operação foi o uso de desinformação. A CIA teria espalhado informações falsas para convencer os iranianos de que o aviador já havia sido resgatado e deixava o país por terra.
A estratégia visava desviar a atenção das buscas, permitindo que as forças americanas ganhassem tempo para localizar o militar e executar o resgate com menor risco.
Desfecho da missão
Após ser localizado, o militar foi retirado da área e levado ao Kuwait para tratamento médico. Segundo o governo dos Estados Unidos, nenhum integrante da operação ficou ferido.
O presidente Donald Trump classificou o resgate como “milagroso”, destacando a complexidade e o sucesso da missão em território hostil.






Deixe um comentário