Relatório da PF aponta mais de dez encontros entre Toffoli e Vorcaro

Polícia avalia que a frequência dos encontros sugere uma relação mais estreita do que a declarada publicamente

Um relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal trouxe novos elementos sobre a relação entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a colunista Natália Portinari, do portal UOL, o documento menciona mais de dez ocasiões em que os dois teriam se encontrado entre 2023 e 2024, período em que tramitavam investigações envolvendo a instituição financeira.

As informações constam de relatório entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e que culminaram, na semana passada, na saída de Toffoli da relatoria dos processos relacionados ao Banco Master. O ministro foi substituído por André Mendonça, após redistribuição por sorteio.

Encontros e troca de mensagens

Segundo a Polícia Federal, os encontros entre Toffoli e Vorcaro ocorreram majoritariamente em eventos sociais em Brasília, como jantares e festas. As mensagens analisadas pela investigação indicariam proximidade entre os dois além do que aparece em conversas no WhatsApp, nas quais o ministro teria convidado o banqueiro para sua festa de aniversário.

A PF avalia que a frequência dos encontros sugere uma relação mais estreita do que a declarada publicamente. Em reunião interna entre ministros do STF após a entrega do relatório, de acordo com reportagem do site Poder 360, o ministro Luiz Fux comentou que Vorcaro e Toffoli tinham “seis minutos de conversa” entre si.

Apesar disso, o relatório descreve um conjunto mais amplo de encontros, reforçado por indícios colhidos durante a investigação. Fontes que tiveram acesso ao documento afirmam que os registros de presença em eventos e as trocas de mensagens corroboram a ocorrência das reuniões.

Procurados para comentar o fato de terem se encontrado mais de dez vezes, Toffoli e Vorcaro não responderam aos questionamentos da imprensa.

Relação contestada e nota oficial

Após a divulgação do relatório, Toffoli negou ter amizade com o banqueiro e afirmou que não haveria fundamento para alegação de suspeição. Em nota divulgada na semana passada, o ministro declarou que “o ministro desconhece o gestor do Fundo Arleen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.

Na mesma manifestação, acrescentou: “Por fim, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

A crise ganhou novo capítulo após o vazamento de informações sobre a reunião em que se deliberou pela saída de Toffoli da relatoria. Entre integrantes do Supremo, surgiu a suspeita de que o encontro pudesse ter sido gravado, o que ampliou a tensão interna.

Repasses milionários sob análise

Além dos encontros, o relatório da PF menciona repasses financeiros que passaram a ser analisados no contexto da investigação. Segundo o documento, o fundo Arleen, ligado ao banqueiro, teria transferido R$ 35 milhões a uma empresa da qual Toffoli é sócio com familiares, a Maridt.

Chamou a atenção dos investigadores o intervalo entre a venda de uma fatia de um resort pela Maridt ao fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021, e os pagamentos mencionados nas mensagens trocadas entre Zettel e Vorcaro, que ocorreriam entre 2024 e 2025.

A defasagem temporal entre a negociação e os repasses é um dos pontos destacados no relatório como elemento a ser aprofundado.

Com a redistribuição dos inquéritos ao ministro André Mendonça, caberá agora à nova relatoria conduzir os desdobramentos das apurações envolvendo o Banco Master. O caso expõe tensões institucionais dentro do STF e adiciona um componente sensível às investigações em curso.

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