Relator da CPI do MST será ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, o mesmo que afrouxou regras ambientais em prol do Agro

Nesta quarta-feira (17), a Câmara dos Deputados instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com a presidência a cargo do deputado tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS), a CPI contará com o deputado Ricardo Salles (PL-SP), apoiador de Jair Bolsonaro (PL), como relator. Quando era…

Nesta quarta-feira (17), a Câmara dos Deputados instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Com a presidência a cargo do deputado tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS), a CPI contará com o deputado Ricardo Salles (PL-SP), apoiador de Jair Bolsonaro (PL), como relator.

Quando era ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles chegou a dizer, em uma reunião “vazada”, que era preciso aproveitar a atenção da imprensa dada à covid-19 para afrouxar regras ambientais:

“Precisa ter um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala de covid, e ir passando a boiada, e mudando todo o regramento (ambiental), e simplificando normas”, disse ele, na ocasião.

Salles e o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), chegaram a assinar, em 2020, um decreto transferindo do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura o poder de conceder as florestas nacionais. A Justiça Federal, entretanto, interveio no assunto e suspendeu os efeitos do decreto

A oposição buscará utilizar a CPI do MST para estabelecer conexões entre as ocupações dos sem-terra — estratégia usada pelo movimento para pressionar o governo a destinar terra devolutas do Estado e improdutivas para a reforma agrária prevista em lei — e a invasão golpista do Palácio do Planalto em 8 de janeiro, encabeçada por apoiadores de Bolsonaro, muitos dos quais pertencem ao agronegócio.

A CPI do MST será composta por 40 deputados ruralistas ligados à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), enquanto apenas 14 deputados são governistas, informa a CNN. Ao todo, são 54 membros entre titulares e suplentes.

O PT indicou oito deputados para enfrentar a bancada ruralista e a oposição na CPI. Líder do partido na Câmara, Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que o governo Lula não teme os trabalhos da comissão e que ela servirá de vitrine para os sem-terra. Ele também classificou a comissão como “injusta” e uma tentativa de manchar a reputação do MST.

Além disso, outras duas comissões também foram instaladas na Câmara dos Deputados no mesmo dia: a CPI das Apostas Esportivas, que investigará a manipulação de resultados em jogos de futebol, e a CPI das Americanas, que investigará as inconsistências contábeis das Lojas Americanas.

Com informações do 247.

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