Reação a tarifaço de Trump dividiu governo, mas prevaleceu ala que defende cautela, e não retaliação

Nota oficial diz que Brasil lamenta decisão dos EUA e que avalia “todas as possibilidades de ação”

A divulgação de uma nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, nesta quarta-feira (12), foi o resultado de intensos debates que aconteceram nos bastidores do governo brasileiro. O comunicado expressou o lamento do Brasil pela decisão dos Estados Unidos de aumentar para 25% as tarifas de importação sobre aço e alumínio, caracterizando a medida do governo Donald Trump como “injustificável”.

Nos preparativos para a nota, diferentes correntes dentro do governo apresentaram visões divergentes, como informa Ricardo Abreu, no g1. Enquanto uma parte, composta por políticos e diplomatas mais próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendia uma retaliação imediata e uma resposta que invocasse a reciprocidade, outro grupo optou pela cautela. Este último grupo ressaltava a importância de continuar as negociações em andamento com os americanos.

Grupo técnico se reunirá nesta sexta em busca de soluções

Um aspecto central na discussão foi a criação de um grupo técnico entre Brasil e Estados Unidos, com a missão de aprofundar as conversas e buscar soluções para os impasses tarifários. Uma nova reunião foi agendada para a próxima sexta-feira (14), envolvendo técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e representantes do comércio norte-americano. A expectativa é que, a partir dessas reuniões, possam ser encontradas soluções que evitem a escalada de tensões comerciais.

Os diplomatas e técnicos que apoiaram a nota ressaltaram a necessidade de preservar o diálogo, especialmente com a data de 2 de abril se aproximando, quando as tarifas recíprocas entre os países devem entrar em vigor. Segundo fontes próximas ao processo, “não se podia avançar uma linha que prejudicasse o diálogo, de olho numa reparação num futuro próximo”.

O governo brasileiro, em sua nota, também se comprometeu a avaliar “todas as possibilidades de ação no campo do comércio exterior” para responder ao aumento de 25% nas tarifas sobre aço e alumínio. O Itamaraty afirmou que já há reuniões agendadas nas próximas semanas para discutir a questão e que o Brasil defenderá seus interesses junto à Organização Mundial do Comércio.

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