Durante uma cerimônia em Belém nesta terça-feira (26), o cacique Raoni foi agraciado com a Legião de Honra, a mais alta honraria da França, na presença do presidente, Emmanuel Macron, e do ex-presidente Lula. Durante o evento, Raoni aproveitou a oportunidade para fazer pedidos ao ex-presidente brasileiro, solicitando agilidade na demarcação de terras indígenas e um aumento no orçamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Raoni enfatizou a importância de acabar com o desmatamento e demarcar terras indígenas para comunidades que ainda não possuem território. Fez ainda um apelo para que a Funai receba um orçamento adequado para realizar seu trabalho em prol das comunidades indígenas. O líder também pediu a Lula que barre a construção da ferrovia Ferrogrão, que pretende ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) para o transporte de grãos.
O cacique, reconhecido internacionalmente por sua luta em defesa da Amazônia, fez esses pedidos durante a solenidade, na qual Macron elogiou sua trajetória na militância pelos direitos dos povos indígenas no Brasil. Macron destacou que Raoni se tornou um embaixador do seu povo e elogiou a atitude de Lula em nomear um ministro indígena pela primeira vez.
Raoni também solicitou apoio a Macron para a presidente da Funai, Joenia Wapichana, e pediu sua ajuda para receber o Prêmio Nobel da Paz. Em outubro do ano passado, Raoni havia criticado o presidente brasileiro pela demora em cumprir as promessas feitas a ele no dia da posse.
A ferrovia Ferrogrão, que atravessaria a floresta amazônica do Pará ao Mato Grosso, está entre os investimentos previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até 2026. Apesar dos argumentos do agronegócio sobre os benefícios da construção da ferrovia, sua implementação enfrenta críticas devido ao impacto ambiental e à possível violação de terras indígenas e áreas de proteção.
Raoni entregou aos presidentes uma sentença do Tribunal Popular realizado por representantes dos povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações e movimentos sociais do Pará e Mato Grosso. O documento assinado por 40 organizações de povos indígenas, tradicionais e movimentos sociais traz cinco argumentos de acusação:
- Violação do direito à consulta livre, prévia, informada e de boa-fé;
- Estudos falhos e subdimensionamento dos impactos e riscos socioambientais conexos;
- Aumento da especulação fundiária, grilagem de terras públicas, desmatamento, queimadas e conflitos fundiários;
- Favorecimento indevido dos interesses das empresas transnacionais Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e Amaggi.
Apesar da importância da obra alegada pelo agronegócio, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, afirma que a ferrovia tende a estimular a devastação ambiental.
— A obra vai fomentar o desmatamento pela transformação das terras de pastagens em plantações. Quando a terra se torna mais valiosa para soja do que para gado, os pecuaristas vendem os terrenos, a preço alto, e usam o dinheiro para comprar áreas de floresta barata no Pará ou Amazonas, onde desmatam para pastagens — detalhou.
Com informações de O Globo.





