Ramagem admite que “minoria” pode ter feito monitoramentos ilegais na Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

Em relação ao uso do programa espião First Mile (adquirido de Israel), Ramagem negou que tenha pedido pesquisas com base no instrumento ou passado dados sigilosos para beneficiar a família Bolsonaro

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) admitiu que monitoramentos clandestinos podem ter ocorrido na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgãos que chefiou durante o governo Bolsonaro. No entanto, ele atribuiu essa ação a uma “minoria” e nega ter participado.

 “Acredito que uma minoria possa ter desvirtuado (a Abin)”, afirmou ao Metrópoles Entrevista

Em relação ao uso do programa espião First Mile (adquirido de Israel), Ramagem negou também que tenha pedido pesquisas com base no instrumento ou passado dados sigilosos para beneficiar a família Bolsonaro.

“Eu acredito que a utilização, na sua grande maioria, quase a totalidade, deve ter sido para trabalhos de inteligência corretos. Que eles, os oficiais de inteligência que trabalham ali, são oficiais de inteligência de bom trabalho.”

O parlamentar, no entanto, levantou suspeitas sobre a conduta de Paulo Fortunato, que ocupava o posto de diretor de Operações, ou seja, seu subordinado na Abin. Já no governo Lula, Fortunato chegou a ocupar o terceiro posto na hierarquia da agência. Em outubro do ano passado, o servidor foi afastado das funções, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), e exonerado, dentro da investigação sobre o uso do software espião.

Foi na casa dele que foram encontrados quase US$ 170 mil. O dinheiro, segundo a defesa dele, seria proveniente de uma poupança da família.

O parlamentar disse ter sido o responsável por identificar indícios de irregularidades e encaminhar uma investigação interna, que teria sido determinante para a saída de Fortunato. “Eu que fiz toda apuração e que gerou a exoneração dele e que se demonstra que pode ter atividades ilícitas lá dentro. Por que eu agora estou sendo investigado? Esse é o absurdo da perseguição. Por quê?”

Ramagem é investigado pela Polícia Federal, que apura indícios de que o ex-diretor da Abin tenha usado o First Mile para espionar desafetos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).

Com informações do Metrópoles

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