A Raízen, uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.
Segundo a companhia, o plano já conta com a adesão de aproximadamente 40% dos credores, mas ainda precisa alcançar o apoio de 50% mais um para ser aprovado.
A medida suspende temporariamente as obrigações financeiras incluídas no acordo, enquanto os pagamentos a fornecedores continuam sendo realizados. O objetivo é preservar o caixa da empresa em um momento estratégico, com a aproximação da safra de cana-de-açúcar, que exige maior capital de giro.
Ativos à venda
A Raízen também anunciou a venda de ativos ligados aos negócios de açúcar, etanol e bioenergia, avaliados em cerca de R$ 4,9 bilhões.
Esses ativos, no entanto, possuem passivos de R$ 4,27 bilhões, o que reduz o valor líquido estimado das vendas para aproximadamente R$ 697 milhões.
Entre os ativos colocados à venda estão:
- negócios de açúcar e etanol avaliados em R$ 1,93 bilhão;
- ativos biológicos, como canaviais, estimados em R$ 373 milhões;
- usinas de geração de energia solar, avaliadas em R$ 1,4 bilhão;
- contas a receber de clientes da comercialização de energia, de cerca de R$ 608 milhões.
Além disso, parte desses ativos envolve passivos de arrendamento de terras de longo prazo, estimados em cerca de R$ 1,5 bilhão.
Venda de usinas
Nos últimos meses, a empresa já concluiu aproximadamente R$ 5 bilhões em vendas de ativos, incluindo as usinas de cana-de-açúcar Leme, Rio Brilhante e Passatempo, além de canaviais ligados à Usina Santa Elisa.
Crise no setor
O movimento ocorre em meio ao aumento de pedidos de recuperação judicial no agronegócio.
Levantamento da Serasa Experian aponta que produtores e empresas do setor registraram 1.990 pedidos em 2025, alta de 56,4% em relação a 2024 e o maior número desde o início da série histórica, em 2021.






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