Racismo no Rio: acusada de injúria racial critica tratamento no Brasil ao deixar o país

Acusada de injúria racial após episódio em Ipanema, Agostina Páez retorna a Buenos Aires, critica tratamento no Brasil e provoca reação nas redes

A advogada argentina Agostina Páez, acusada de injúria racial no Rio de Janeiro, voltou a gerar repercussão ao deixar o Brasil e desembarcar em Buenos Aires. Ao falar com jornalistas, ela afirmou que se sentiu desamparada durante o período em que permaneceu no país e declarou que argentinos seriam mal tratados em território brasileiro.

Páez havia sido investigada após ser filmada fazendo gestos racistas, imitando um macaco, em direção a funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio, no início deste ano. O caso teve ampla repercussão e levou à abertura de processo na Justiça fluminense.

Após cerca de dois meses no Brasil sob monitoramento eletrônico, a advogada conseguiu autorização para retornar ao seu país. A liberação ocorreu depois do pagamento de fiança de aproximadamente R$ 97 mil e da retirada da tornozeleira eletrônica, determinada por decisão judicial recente.

Na chegada ao Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, Páez afirmou que a experiência no Brasil foi negativa. Segundo ela, turistas devem se informar sobre as leis locais antes de viajar. Apesar de dizer que gosta do povo brasileiro, relatou ter vivido uma situação desagradável e recomendou cautela a compatriotas.

A declaração provocou reações nas redes sociais, com críticas de usuários brasileiros que apontaram contradição entre a fala e o episódio que motivou a acusação. Parte das manifestações destacou que a advogada não teria demonstrado aprendizado após o caso.

Reviravolta judicial

O retorno da argentina ao país de origem foi possível após decisão do juiz Luciano Barreto Silva, do Tribunal de Justiça do Rio, que concedeu habeas corpus. O magistrado considerou excessivas as medidas cautelares impostas anteriormente e determinou a revisão das restrições.

Além da retirada da tornozeleira, a decisão incluiu o pagamento de 60 salários mínimos e a comunicação à Polícia Federal para autorizar a saída do Brasil. Antes disso, a advogada havia sido presa pela Polícia Civil, mas teve o mandado revogado horas depois.

O processo segue em tramitação e já contou com audiência na 37ª Vara Criminal do Rio, com a presença da acusada e de pessoas que relataram ter sido ofendidas. O caso continua repercutindo tanto no Brasil quanto na Argentina, agora impulsionado pelas declarações feitas após o retorno de Páez ao seu país.

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