Quilombo do Leblon ganha certificação pela Fundação Cultural Palmares

Portaria certificando a comunidade como Remanescente de Quilombo foi publicada no Diário Oficial da União da quarta-feira (7).

A comunidade do Quilombo do Leblon acaba de dar um importante passo rumo ao reconhecimento de sua história e identidade. A Fundação Cultural Palmares, órgão responsável por preservar e promover a cultura afro-brasileira, certificou oficialmente o Quilombo do Leblon como comunidade remanescente de quilombolas, consolidando a luta histórica por reconhecimento e direitos territoriais. A portaria certificando a comunidade como Remanescente de Quilombo foi publicada no Diário Oficial da União da quarta-feira (7).

A certificação pela Fundação Palmares é um marco simbólico e jurídico que fortalece a luta da comunidade por reconhecimento e preservação de seu território. Além disso, abre portas para políticas públicas que garantem a proteção cultural e territorial desses espaços, reafirmando a importância da memória coletiva e da identidade quilombola no contexto urbano contemporâneo.

O Quilombo do Leblon surgiu em meio à crise final do sistema escravista no Brasil, quando o discurso abolicionista ganhava adeptos entre a elite intelectual e política do país. Além de abrigar fugitivos o quilombo promovia reuniões e eventos abolicionistas, contando com aliados importantes, como a princesa Isabel e Rui Barbosa.

A comunidade começou a se organizar por volta de 1881, quando o português José de Seixas Magalhães, dono de uma fábrica de malas de couro no centro do Rio, comprou algumas terras no então distante bairro do Leblon e ali passou a cultivar camélias.

Seixas era abolicionista e, para cultivar as flores raras, recebia ajuda de inúmeros escravizados que, em fuga, buscavam refúgio no que ficou conhecido como Quilombo do Leblon. Suas camélias subversivas enfeitavam o Palácio das Laranjeiras, então residência da Princesa Isabel e hoje sede do governo do Estado. A camélia era uma planta relativamente rara no Brasil, como a liberdade que se pretendia conquistar.


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