O ex-prefeito Cesar Maia, um dos nomes mais importantes da história política recente do país, completa 80 anos nesta quarta-feira. Homenageado pelo aniversário e trajetória política pela Câmara do Rio, onde atualmente exerce o mandato de vereador pelo PSD, Maia recebeu também o carinho de dois de seus principais pupilos políticos: o prefeito Eduardo Paes e o presidente da Câmara, Carlo Caiado.
“Parabéns ao sempre prefeito Cesar Maia, um excepcional homem público e transformador de nossa cidade! Feliz aniversário e vida longa! Tenho muito orgulho de ter iniciado minha vida pública a seu lado e de tê-lo como aliado hoje”, postou Paes em suas redes sociais.
Também pelas redes sociais, o presidente da Câmara, Carlo Caiado, postou um vídeo antigo discursando ao lado de maia e afirmou ter orgulho de ter sido seu aluno na política.
“Cresci observando seu exemplo, aprendendo com sua visão estratégica, sua capacidade de inovar e sua dedicação incansável ao serviço público. Foi Cesar Maia quem me deu a oportunidade de descobrir minha verdadeira vocação política ainda muito jovem, apresentando-me a um universo de possibilidades por intermédio do meu pai, a quem também sou eternamente grato”, lembrou Caiado, que completou:
“Tive a honra de ser um dos seus muitos alunos na política, e acima de tudo, de ter tido meu potencial reconhecido por alguém que sempre acreditou no poder das novas ideias e no valor das pessoas. Sua trajetória é um legado não só de realizações, mas de inspiração — prova de que a política pode e deve ser exercida com inteligência, coragem e integridade”.
Homenagem
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro ficou completamente lotada na manhã desta quarta-feira (18) para prestar uma homenagem emocionante a Cesar Maia. Cerca de 300 pessoas ocuparam o plenário para celebrar a trajetória do economista e político, reconhecido por seu estilo irreverente e por ser o “descobridor” de diversos talentos políticos do estado.
A sessão solene foi marcada por símbolos pessoais e políticos. O evento teve início com a execução do hino do Botafogo, time de coração de Maia, e uma apresentação de samba com bandeiras das 12 escolas do Grupo Especial. A condução foi feita pelo presidente da Câmara, vereador Carlo Caiado, que declarou:
“Cesar Maia merece todas as homenagens, pois marcou a história da nossa cidade em seus três mandatos como prefeito. Pessoalmente, tenho imensa gratidão, porque foi com ele que comecei a minha vida pública.”
A mesa da cerimônia reuniu figuras como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD-GO); o prefeito em exercício do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD); o ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB); além de familiares como a secretária de Turismo, Daniela Maia, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Também esteve presente Mariangeles, esposa do homenageado.

Cesar Maia governou o Rio por 12 anos — em dois períodos: de 1993 a 1996 e de 2001 a 2008 — sendo um dos prefeitos mais longevos da cidade. Apenas Eduardo Paes superou sua marca em 2025. Maia também foi deputado federal e secretário estadual de Fazenda. Sua carreira é marcada pelo lançamento de diversos nomes da política, entre eles o próprio Paes, que começou sua trajetória ao lado do ex-prefeito.
Em discurso emocionado, a vereadora Rosa Fernandes (PSD) relembrou o tempo em que foi secretária durante a gestão de Maia.
“Ele botou uma suburbana para tomar conta da orla”, disse, em referência ao espaço que dava às mulheres em sua administração. “As mulheres sempre tiveram voz em sua gestão”, completou.
Amuleto com areia, casaco azul e espingarda boliviana
Cesar Maia, um dos nomes mais emblemáticos da política carioca, completa 80 anos com uma exposição que vai além dos feitos políticos: ela revela os bastidores da trajetória pessoal e pública do ex-prefeito, marcada por objetos carregados de história, superstição e simbolismo. A matéria foi publicada originalmente pelo jornal O Globo.

Dos lendários casacos azuis, usados mesmo sob o sol escaldante do Rio de Janeiro, ao amuleto com areia do mar de São Conrado, que guarda religiosamente desde 1993 para “dar sorte”, cada peça remete a um capítulo importante da vida de Cesar Maia. O atual vereador do PSD tem uma relação afetiva com os itens que o acompanharam ao longo das décadas — muitos deles, agora raridades, estão em sua casa ou gabinete na Câmara Municipal.

Entre os objetos mais curiosos está o retrato de sua prisão durante a ditadura militar, quando foi detido no Congresso da UNE, em 1968. A imagem do jovem militante, com expressão grave e a placa de fichamento no peito, ainda hoje causa impacto. Foi um período que culminou em seu exílio no Chile e, depois, o retorno ao Brasil, sob vigilância.
No campo mais lúdico, chama atenção a coleção de corujas de mesa — símbolo de sabedoria — que decoravam seu gabinete. Embora muitas tenham sido presenteadas, duas ainda resistem ao tempo. O mesmo aconteceu com os bonequinhos de Cesar Maia, miniaturas feitas na época em que era prefeito e espalhadas por diferentes repartições públicas.
Mas talvez o item mais insólito seja uma espingarda boliviana do século XIX, comprada em viagem e tratada como relíquia até pela alfândega em Santa Cruz de la Sierra. Ao lado dela, descansam imagens de São Jorge e Nossa Senhora de Fátima, transferidas do antigo gabinete para sua sala em São Conrado, como forma de proteção espiritual.

Outro destaque é a mesa do pai, ainda marcada por um coquetel molotov lançado durante os protestos de 2013. Cesar Maia se recusou a restaurar a peça: “É uma marca da história”, teria dito aos assessores, pedindo apenas um vidro para preservar o local atingido.
Com três mandatos como prefeito e décadas de vida pública, Cesar Maia se tornou uma figura que mescla política, memória e estilo pessoal como poucos. Aos 80 anos, ele não apenas coleciona histórias, mas também os objetos que ajudaram a contá-las.






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