Promotora espionada pela Abin investigava ação das milícias de Rio das Pedras e da Muzema, além do assassinato de Marielle Franco

Entre os denunciados, estava o miliciano Adriano da Nóbrega (personagem próximo da família Bolsonaro), morto na Bahia

A estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi usada para monitorar a promotora Simone Sibilio, ex-coordenadora da força-tarefa do Ministério Público do Rio (MPRJ) que investigou as mortes de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ela também participou de investigações importantes sobre as milícias do Rio de Janeiro.

A informação, obtida pela jornalista Andréia Sadi, está na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes: “(…) ficou patente a instrumentalização da Abin para monitoramento da promotora de Justiça do Rio de Janeiro e coordenadora da força-tarefa sobre os homicídios qualificados perpetrados em desfavor da vereadora Marielle Franco e do motorista que lhe acompanhava Anderson Gomes”, diz um trecho da decisão.

A promotora Simone Sibilio também esteve à frente de casos envolvendo milícias e o crime organizado no Rio. Entre eles, a primeira grande operação contra a milícia no Rio, que investigou as cúpulas do Rio das Pedras e da Muzema. Entre os denunciados estão Adriano da Nóbrega (personagem próximo da família Bolsonaro), Maurição e Beto Bomba.

Também esteve na mira de Simone Sibilio o grupo de extermínio ligado às milícias e chefiado por Adriano da Nóbrega. Ele foi morto em um suposto confronto com PMs na Bahia.

O ex-PM foi um dos líderes da milícia da Zona Oeste e chegou a ser condenado a 25 anos de prisão pelo assassinato de um líder comunitário em Jacarepaguá, Carlos Alexandre Maria, o Cabeça.

Investigações da Polícia Federal apontaram que haveria um conluio da atual gestão do órgão para blindar investigados por participação em um esquema de espionagem ilegal, a chamada “Abin Paralela”.

Nesta quinta-feira (25), agentes apreenderam quatro computadores, seis celulares e 20 pens drives em endereços do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor-geral da agência no governo Bolsonaro. Entre os objetos apreendidos, há um notebook e um celular da Abin.

Na decisão que autorizou a operação da PF desta quinta-feira (25), o ministro do STF Alexandre de Moraes afirma que o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, usou o órgão para fazer espionagem ilegal a favor da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre autoridades espionadas estavam a ex-deputada Joice Hasselmann, o ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT) e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Apurações da PF apontam que a Abin teria sido “instrumentalizada” para monitorar ilegalmente uma série de autoridades e pessoas envolvidas em investigações e desafetos de Jair Bolsonaro (PL).

O uso indevido da Abin teria ocorrido quando o órgão era chefiado por Alexandre Ramagem (PL-RJ), aliado de Bolsonaro que, atualmente, é deputado federal. Ramagem foi alvo de uma operação da PF desta quinta-feira.

Com informações do g1.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading