Engana-se quem pensa que política e religião não se discutem. Na quinta-feira (01/06), na primeira sessão do mês de junho, o debate entre os deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) colocou em campos opostos bolsonaristas e esquerdistas e moderados. Na berlinda, o bispo Waldyr Calheiros, que virou nome de diploma a partir de um projeto de resolução do deputado Jari Oliveira (PSB), para homenagear pessoas que apoiaram o religioso nas lutas sociais no estado.
Além de votar contra o projeto, o deputado Márcio Gualberto (PL), fortemente ligado à igreja católica, pegou o microfone para acusar o bispo de comunista, contrariando as teses do materialismo dialético, que reza a cartilha do ateísmo. Irônico, o deputado Luiz Paulo (PSD) não perdoou:
“Não consigo ouvir uma heresia. O simples fato de ser bispo é porque ele é um metafísico, o oposto do materialismo. Não existe Bispo comunista como não existe pastor evangélico comunista. Não posso deixar de consignar que esse rótulo é para estigmatizar todos que não pensam ou não pensaram que nem ele”, disparou.
Gualberto admitiu o erro, e tentou justificar:
“Deputado Luiz Paulo, eu fui chamado de playboy, mas deixa eu te falar uma coisa: o senhor tem razão. Só que desde a Rerum Novarum, que é um documento da doutrina social da igreja muito importante, se deixou muito claro que é incompatível com o catolicismo tanto o socialismo quanto o comunismo. Não sou eu que estou dizendo, é a Igreja, é o magistério”
Contemporizando, Munir Neto (PSD), que pediu coautoria da proposta, foi ao microfone expressar sua insatisfação com a discussão. “Aqui não direita e esquerda, tem o religioso que fez o bem para a população. É um absurdo a gente colocar um bispo emérito que trabalhou mais de 50 anos sobre essa turva”, declarou.





