O Estádio Vasco da Gama, mais conhecido como São Januário, poderá se transformar em patrimônio histórico, cultural e artístico do Estado do Rio. A proposta, do deputado Professor Josemar (Psol), foi apresentada na semana passada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Em 2021, a mesma iniciativa foi aprovada na Câmara de Vereadores do Rio, que tornou o local patrimônio histórico da cidade. Agora, a honraria poderá ganhar todo território fluminense. “É uma construção emblemática e um marco na história do futebol brasileiro”, diz Josemar.
Inaugurado em 1927, o estádio sempre foi motivo de orgulho para os vascaínos, sendo considerado o maior da América do Sul até a construção do Centenário, no Uruguai, para a Copa de 1930. O custo da construção foi pago pelos torcedores, a partir de uma campanha feita pelos dirigentes.
Na época, a mobilização ocorreu como uma resposta aos clubes elitistas que não aceitavam jogar contra atletas negros e pobres que compunham o elenco do Vasco. Além de ter sido a casa da seleção brasileira por muitos anos, também foi palco de importantes eventos da política nacional.
Foi na “Colina Histórica” – como também é conhecido – que Getúlio Vargas anunciou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1940, e Luís Carlos Prestes, cinco anos depois, realizou um comício que seria fundamental para trazer o Partido Comunista de volta à legalidade.
“A importância do estádio se confunde com a histórica do clube, que sempre enfrentou perseguição em razão da sua origem. A recente interdição determinada pela justiça, por exemplo, pune os frequentadores do estádio por um problema social que cabe ao estado resolvê-lo, e que são comuns no Maracanã e o Engenhão”, argumenta o deputado.
Impasse
O estádio está fechado desde o dia 22 de junho, quando o Vasco enfrentou o Goiás, pela 11ª rodada do Brasileirão. O clube recebeu uma punição do STJD (Supremo Tribunal de Justiça Desportiva) de quatro jogos sem público devido ao tumulto violento causado por torcedores após a derrota.
Cumprida a punição, o clube foi acionado pelo Ministério Público numa ação movida no Tribunal de Justiça que manteve a interdição do estádio ao público, alegando que São Januário não é seguro para o público. O argumento foi considerado elitista e preconceituoso pela comunidade do esporte em geral, que agora se mobiliza pela reabertura.
Os deputados da Alerj vêm procurando intermediar com a justiça a volta do torcedor. Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) já foi assinado pelos dirigentes do clube com esse propósito. Fora isso, um estudo da Secretária de Trabalho da prefeitura do Rio mostra que o fechamento do espaço já contabiliza uma perda de 60% no faturamento dos estabelecimentos locais, afetando 18 mil moradores da região.





