Primeiros efeitos do Bolsa Família retomado pelo governo: carne e leite na mesa e fraldas para os bebês

No almoço de ontem, Márcia Maria da Silva, 31, e seus seis filhos tinham dois tipos de peixe para escolher em sua pequena casa na Vila Emater, uma favela que fica ao lado de um antigo lixão de Maceió. A melhora no consumo de proteína nas refeições da família veio desde o final de março,…

No almoço de ontem, Márcia Maria da Silva, 31, e seus seis filhos tinham dois tipos de peixe para escolher em sua pequena casa na Vila Emater, uma favela que fica ao lado de um antigo lixão de Maceió. A melhora no consumo de proteína nas refeições da família veio desde o final de março, quando ela recebeu R$ 1.200 do novo Bolsa Família, o dobro do valor do mês anterior. É essa a única renda da casa. 

A reportagem é de Carlos Madeiro, do UOL.

O governo começou a pagar, na folha de março, um adicional de R$ 150 por criança de até seis anos no Bolsa Família. 

Ao todo, 8,9 milhões de crianças foram beneficiadas. Com o aumento, o valor médio do Bolsa Família subiu para R$ 669,93 (era de R$ 606,91 em fevereiro). Um novo adicional de R$ 50 será pago a partir de junho a crianças e adolescentes entre sete e 18 anos e para gestantes. 

Márcia Maria festeja:

“Com o dinheiro, além da feira de sempre, comprei carnes, leite, material escolar e fralda para os meus outros filhos –antes, o dinheiro dava só fralda para o bebê. E a mistura [proteína das refeições] era quase só ovo, agora dá para ter peixe, carne de boi ou porco todo dia.” 

Os filhos de Márcia têm entre 9 meses e 11 anos, de pais diferentes e moram com ela. Apenas um dos pais paga pensão mensal, de R$ 180. 

“Outros dois morreram e um outro nos ajuda com R$ 100, mas só paga quando quer. Os outros não ajudam”, diz. 

Dos seus filhos, quatro têm de até seis anos e tiveram direito ao benefício. 

Segundo o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (Vigisan), o estado de Alagoas é onde mais se passa fome no país, com 36,7% da população sem alimentos em quantidade suficiente.  

Márcia carrega nos braços cicatrizes de queimaduras de um incêndio no barraco onde morava, quando era criança. Hoje, a casa de Márcia é “híbrida”: metade de tijolo, metade de tábua. 

“Nasci aqui na vila, catava lixo e hoje vivo cuidando dos meus filhos. Espero dar a eles uma casa e uma vida melhor.” 

Ela  contou que pretende terminar de construir sua casa, mas antes quer solucionar um problema mais urgente: ela não tem geladeira e precisa cozinhar todos os dias. 

“Deixo a mistura [algum tipo de carne ou outra proteína] na casa do meu pai, mas agora vou juntar um dinheiro para comprar uma geladeira”, diz. 

Além do Bolsa Família, Márcia e as famílias do local recebem ajuda também de um centro espírita, que doa mensalmente uma cesta básica às pessoas da região.  

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