O presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou nesta quinta-feira (23) que foi vítima de uma tentativa de envenenamento. Segundo ele, três substâncias químicas foram misturadas em doces — chocolates e marmelada — que havia recebido de presente durante um evento público.
Em entrevista à CNN, Noboa afirmou que as análises confirmaram uma alta concentração dos compostos, o que, em sua avaliação, descarta qualquer hipótese de acidente. “Apresentamos a denúncia, apresentamos as provas, a concentração dos três compostos químicos”, relatou.
De acordo com o presidente, os resultados laboratoriais indicam que a presença das substâncias não poderia ser natural. Ele reforçou que o caso está sendo tratado como uma tentativa deliberada de atentado à sua vida e que as autoridades já investigam a origem dos produtos.
Histórico de ataques e clima de tensão
O episódio se soma a uma série de incidentes envolvendo a segurança do presidente equatoriano. No início de outubro, Noboa foi alvo de um ataque durante deslocamento oficial. No dia 7, a caravana de veículos que o acompanhava foi cercada por centenas de pessoas na província de Cañar. Manifestantes lançaram pedras contra o comboio presidencial, obrigando as forças de segurança a reagir.
O governo classificou o ato como uma “tentativa de assassinato”. Noboa saiu ileso, e cinco pessoas foram presas. À época, o presidente repudiou a violência e afirmou que o país não toleraria novos episódios de agressão. “Essas agressões não são mais aceitas no novo Equador. A lei se aplica para todos. Não vamos permitir que alguns vândalos impeçam que trabalhemos por vocês”, disse.
Conflitos internos e protestos indígenas
O clima político no Equador permanece tenso desde que Noboa assumiu o governo em meio a uma onda de instabilidade e violência ligada ao narcotráfico e à crise econômica. Nas últimas semanas, o presidente enfrentou forte resistência de movimentos sociais e da Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador), principal organização indígena do país.
A Conaie promoveu bloqueios de rodovias por cerca de um mês em protesto contra as políticas do governo. Os manifestantes reivindicavam maior apoio às comunidades rurais e indígenas e criticavam medidas de austeridade. A suspensão dos bloqueios foi anunciada na quarta-feira (22), após Noboa ameaçar adotar ações mais rígidas de repressão.






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