O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou nesta quarta-feira (10) que serão considerados terroristas também juízes e promotores que ajudarem membros de facções criminosas, segundo o detalhamento que fez nesta terça-feira do decreto de “Conflito Armado Interno” (CAI), emitido na véspera em meio à crise de segurança no país. Com a medida, o presidente ordenou aos militares “neutralizar” 22 grupos criminosos, que passaram a ser considerados “organizações terroristas”.
— Os juízes e promotores que estiverem com os delinquentes também serão considerados como parte do terrorismo — disse o presidente equatoriano durante uma entrevista a uma rádio local, acrescentando que a mesma lógica se aplicará a membros da Polícia Nacional e das Forças Armadas: — Serão processados porque estarão dando assistência a terroristas.
Segundo Noboa, que decretou estado de exceção após a fuga do líder da maior facção criminosa do país, o país se encontra em “estado de guerra” depois de três dias de violência de facções criminosas do narcotráfico. Nesse sentido, afirmou, o CAI “é uma mensagem de que nós (o Estado) não vamos ceder, não vamos deixar que a sociedade morra lentamente”. O estado de exceção vai vigorar por 60 dias, inclusive nos presídios, dominados pela operação do narcotráfico, com toque de recolher entre 23h e 5h.
Desde a declaração de conflito interno, as Forças Armadas, disse, já prenderam 70 pessoas em todo território nacional. Noboa afirmou que o Equador está “lutando pela paz” contra as organizações criminosas e se comprometeu a enfrentar sem trégua “mais de 20 mil” de seus membros.
Em represália à pressão do governo, quadrilhas criminosas lançaram uma dura ofensiva que deixou dez mortos, mais de cem guardas carcerários sequestrados por detentos, a população em pânico e jornalistas amedrontados. Na terça-feira, uma invasão foi transmitida ao vivo a todo o país depois que homens armados com fuzis e granadas tomaram a sede do canal público TC Televisión durante o noticiário do meio-dia, em Guayaquil.
— Minha posição é de que todos os grupos terroristas são objetivos militares — afirmou Noboa, que assumiu o cargo em novembro. — Se querem fazer o alarde que fazem, bem, então sejam corajosos e lutem com os militares.
A crise se seguiu à fuga de Adolfo Macías, o “Fito”, chefe da principal organização criminosa do país, conhecida como Los Choneros, que estava preso em uma penitenciária de Guayaquil (sudoeste) e que sumiu no domingo.
Assim como outras facções, Los Choneros se opõem à iniciativa do governo de fortalecer a segurança nos portos e nas fronteiras com a Colômbia e o Peru, maiores produtores mundiais de cocaína. As quadrilhas também se enfureceram com os planos de Noboa de construir presídios de alta segurança no estilo de seu contraparte salvadorenho, Nayib Bukele, em sua guerra contra as gangues.
— Este governo está tomando as ações necessárias, que nos últimos anos ninguém quis tomar — afirmou. — E para isso é preciso ter coragem de verdade, não de papelão.
Com informações de O Globo.





