Imagine a cena: você está tranquilão, saindo da sauna, quando esbarra no corredor com engravatados tensos, discutindo ajustes num projeto de lei. Ou coisa pior. Justamente naquele dia em que você está atrasado para deixar o Enzo na escolinha, a portaria do clube está bloqueada por seguranças, tudo porque o prefeito está recebendo o governador.
Se foi exatamente assim não sei, mas como diz Chicó, só sei que foi assim que no distante ano de 1999 jornais e colunistas trataram, diante da irresistível piada pronta: a decisão da recém-emancipada cidade de Mesquita, mais jovem município do estado do Rio, de instalar sua prefeitura na sede do Tênis Clube de Mesquita.
Mesquita é uma mistura de laranjais, olarias, uma boa dose de ousadia administrativa e um tanto de humor. Seu nome, por exemplo, apesar de uma lenda urbana muito criativa, que sustenta ter sido inspirado pela Mesquita de Al-Aqsa, nada menos que o terceiro local mais sagrado do Islã — sinal indiscutível de elevadas conexões espirituais e culturais no município —, tem na verdade uma origem mais prosaica. Era tão somente uma referência ao nobre proprietário de terras na região, que hoje batiza também uma rua na Tijuca.
Mesquita, com sua história única e trajetória de crescimento, continua a surpreender e encantar aqueles que a conhecem. Envolvida pelo Parque Municipal de Nova Iguaçu, abriga cachoeiras que não devem a nenhuma Mauá da vida. Uma cidade jovem, mas com um espírito vibrante e promissor.
Prova disso é que depois de anos e anos sendo gozada por dividir o poder municipal com quadras de tênis, finalmente tomou vergonha na cara e já construiu uma sede própria toda moderna. Dessa vez sem piscina.

História
Os primeiros registros dão conta da existência de um engenho importante produzindo açúcar e cachaça, na descida da Serra da Cachoeira, por volta do ano 1700. As terras foram trocando de dono até parar nas mãos de Jerônimo José de Mesquita, o primeiro Barão de Mesquita que pôs ordem na bagunça batizando-as como Fazenda da Cachoeira. Em 1884, quando o trem chegou às terras, acharam melhor dar à estação o nome de “Barão de Mesquita”, que posteriormente perdeu o título de nobreza.
A Fazenda da Cachoeira foi vendida e transformada em diversas chácaras de plantio de laranjas. No início do século XX vieram as olarias, atraídas pela qualidade do barro das áreas alagadas da região. Mas na década de 1940 a região sofreu com a decadência econômica e as chácaras e olarias foram se transformando em loteamentos. Nos dez anos seguintes, Mesquita mais do que triplicou o número de habitantes.
A cidade só conseguiu sem emancipar de Nova Iguaçu em 1999, após uma longa batalha judicial. Hoje, seu desenvolvimento urbano e social é pautado por um planejamento que busca equilibrar crescimento e qualidade de vida. Iniciativas culturais e esportivas têm sido implementadas para fortalecer a identidade local e promover o bem-estar da população. Afinal, que nasceu dentro de um clube não perde alguns cacoetes.
O nome da cidade é inspirado num lugar sagrado para os muçulmanos?
Apesar da história ser irresistível, não. Mesquita vem do Barão de Mesquita, que além de nome de rua na Tijuca foi o nobre que organizou os assentamentos em torno de um engenho que chamou de Fazenda da Cachoeira. Mas seria lindo, se fosse verdade.
A Mesquita de Al-Aqsa, localizada em Jerusalém, é o terceiro local mais sagrado do Islã, depois de Meca e Medina. Conhecida como “a mesquita mais distante”, ela ocupa um lugar de destaque na história religiosa e política da região. Sua importância transcende fronteiras, sendo um símbolo de fé e resistência.

É verdade que, após ser fundada, a cidade instalou a prefeitura dentro de um clube?
Sim, é verdade. Após sua emancipação, a prefeitura de Mesquita encontrou abrigo temporário na sede do Tenis Clube de Mesquita, inaugurado em 1946. Esse clube, tradicional palco de eventos esportivos e sociais, tornou-se, por um breve período, o vibrante centro administrativo da jovem cidade. E um caldeirão de piadas.
Os gaiatos diziam, na época, que a escolha não fora apenas pragmática, mas também simbólica. Mesquita demonstrava que desde os primeiros passos estava disposta a jogar o jogo, com estratégia e, quem sabe, até um certo espírito esportivo.

O que tem para fazer por lá?
O destaque é o Parque Natural Municipal de Mesquita, um espaço verde que proporciona contato direto com a natureza. Com trilhas para caminhadas, áreas para piqueniques e um ambiente tranquilo, é o point ideal para quem busca relaxar e se desconectar do agito urbano.
O parque abriga diversas espécies de fauna e flora, tornando-se um excelente local para observação de aves e caminhadas em meio à vegetação nativa.
Como chegar?
De carro, saindo da Guanabara, o trajeto leva cerca de 30 a 50 minutos e percorre aproximadamente 35 km. De trem, partindo da Central do Brasil, a viagem dura cerca de 1h30min e custa R$ 7,10. Já de ônibus, a linha 386 faz o percurso em cerca de 1h14min por R$ 5.


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