Prefeitura inaugura primeira unidade de internação involuntária e acolhimento a pessoas em situação de rua com animais

Foi inaugurada hoje pela manhã (23) a primeira Residência e Unidade de Atendimento (RUA) que acolhe a população em situação de rua. A Prefeitura do Rio abriu o espaço, localizado na Avenida Ernani Cardoso, em Cascadura, na Zona Norte do Rio, batizado de Sonho Meu, que fica ao lado do, também inaugurado, Centro de Atenção…

Foi inaugurada hoje pela manhã (23) a primeira Residência e Unidade de Atendimento (RUA) que acolhe a população em situação de rua. A Prefeitura do Rio abriu o espaço, localizado na Avenida Ernani Cardoso, em Cascadura, na Zona Norte do Rio, batizado de Sonho Meu, que fica ao lado do, também inaugurado, Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Outras Drogas (CAPSad) Dona Ivone Lara. Este é o 36° Caps inaugurado na cidade. 

A iniciativa do município faz parte do programa Seguir em Frente, que também aborda a internação involuntária.  Composto por seis fases, o projeto visa a acolher, tratar, auxiliar no âmbito profissional e na busca de um lar. O anúncio foi feito na manhã da última quarta-feira, no Centro de Operações Rio (COR), após a publicação do decreto do prefeito Eduardo Paes.

A segunda fase do plano busca o tratamento de dependências químicas e doenças oportunistas em clínicas da família. A prefeitura prevê que, até o fim de janeiro, 1.500 pessoas estejam em algum tipo de tratamento de saúde em sua rede de cuidado.

 A unidade, possui oito blocos de dormitórios. Atualmente, seis deles já estão ocupados com cerca de 160 dependentes químicos. O CAPS dá atendimento psicossocial e médico para os abrigados da unidade de acolhimento.

— Algumas pessoas vão entrar direto na fase 2 que é o tratamento de saúde. Tratamento para dependência química, diabete e vários outros problemas de saúde. Essa ideia de que a pessoa em situação não tem nenhuma fonte de renda, ou não está em busca de alguma renda, não é verdade. O processo vai identificar o plano terapêutico de cada uma dessas pessoas — afirmou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

Na primeira etapa do programa está previsto o acolhimento das pessoas. Nesta fase, o intuito é convencê-las a buscarem por um abrigo da prefeitura. Segundo Soranz, um dos empecilhos, em muitos dos casos, é o vínculo com um animal — que acabava por não ser aceito. Por isso, o programa pretende também acolher o animal de estimação e manter a proximidade com seu dono. 

A terceira etapa consiste em auxiliar as pessoas na atividade laboral. Na quarta fase, as pessoas receberão orientação vocacional, aprenderão uma nova profissão, buscarão uma reconexão com familiares e amigos, além de terem assistência para buscar um lar permanente.  Existe ainda uma fase zero, para auxílio emergencial. Neste caso, estão inseridas apenas pessoas que corram risco de vida, como: doenças, desnutrição ou por violência.

— A gente não pode olhar isso como se a pessoa não fosse humana. Esse é um desafio para que a gente consiga que todas as pessoas que estão em risco de vida, sejam acolhidas. A fase zero desses programas é salvar a pessoa de uma situação de risco de vida — completou o secretário.

A internação compulsória de dependentes químicos foi proposta em novembro deste ano pelo prefeito Eduardo Paes. A questão causou polêmica e dividiu opiniões de especialistas. À época, o advogado Rodrigo Mondego, procurador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, chegou a qualificar como uma “hipocrisia”.

No decreto publicado nesta quarta-feira, o termo utilizado pela prefeitura passa a ser “internação involuntária a critério médico”. Segundo Soranz, apesar de a pasta esperar que a maioria das internações seja consentida e voluntária, acredita que, “em algum momento, pode ser necessário uma internação involuntária, prevista pela lei anti-drogas e prevista nos marcos legais”.

Para estes casos, a Secretaria municipal de Saúde (SMS) deve informar previamente ao Ministério Público do Rio e à Defensoria Pública.

— É um ponto que tem previsão legal na nossa Constituição, que está previsto em todas as decisões do Supremo Tribunal Federal. Não existe essa divergência. Não é possível a gente ver uma pessoa que está morrendo, que está prestes a se suicidar, que está prestes a perder sua vida para as drogas, para o vício, para a dependência química e não socorrer.

Em entrevista coletiva, Soranz afirmou que a ação do município é necessária. Ele ainda ressaltou que, apesar da polêmica entorno do assunto, a ação é uma questão de “cuidado”.

— São as pessoas que mais precisam de cuidado. Essa é uma situação que, de fato, é um grande problema de saúde pública e do ponto de vista populacional. Nada mais prejudicial para alguém que estar em situação de rua. É muito importante que a gente aqui reumanize essa pessoa, que, muitas vezes, não é vista pelos outros e que passam despercebidas no nosso dia a dia. Esse é um ponto que para alguns é polêmico, mas que, na verdade, é um ponto de cuidado.

Com informações de O Globo.

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