A Prefeitura do Rio desapropriou a Casa Portinari e o Solar dos Abacaxias, dois imóveis históricos no Cosme Velho, na Zona Sul, nesta terça-feira (22), três dias depois do desabamento de um casarão que deixou uma mulher de 34 anos e a filha dela, de 2, feridas. As desapropriações foram publicadas no Diário Oficial.
O imóvel conhecido como Residência Cândido Portinari, localizado na altura do número 343 foi onde o artista morou entre 1943 e 1950, período que produziu mais de mil obras, segundo o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. O espaço também abriga um ateliê-galpão projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
A antiga residência do pintor fica em frente ao casarão que desabou no último sábado (19). O estado de conservação do imóvel também era motivo de preocupação entre moradores da região.
Já o imóvel de número 857 abrigava a antiga sede do Solar dos Abacaxis, instituição cultural que funcionou no local. A construção também foi residência da poetisa Anna Amélia Carneiro de Mendonça e do goleiro da seleção brasileira e historiador Marcos Carneiro de Mendonça. O endereço ficou conhecido como ponto de encontro de intelectuais do Rio.

A decisão da Prefeitura já havia sido anunciada pelo prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD) no sábado (19), logo após o desabamento. No Diário Oficial, os dois imóveis foram desapropriados nesta terça-feira (22) “para fins de renovação urbana, por meio de licitação na modalidade leilão, sob condição suspensiva de aquisição da propriedade do bem pelo município”.
Casarão que desabou
Nesta segunda-feira (21), a Prefeitura desapropriou o casarão que caiu e o imóvel vizinho, que também foi atingido.
“Precisamos evitar cenas como a de hoje, causadas pela falta de preservação e de responsabilidade dos proprietários. É papel da prefeitura intervir, desapropriar e levar esses imóveis a leilão público, para que ganhem um novo destino e voltem a servir à população”, afirmou o prefeito Cavaliere.
No interior do imóvel estavam uma mulher de 43 anos e a filha, de 2. Elas foram transferidas para um hospital particular após receberem atendimento inicial no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Segundo as informações, mãe e filha passavam pelo corredor de acesso à vila onde moram no momento da queda e acabaram atingidas pelos destroços. A menina estava em um carrinho.
Após o acidente, a Defesa Civil Municipal interditou os dois imóveis e apontou a necessidade de demolição do segundo andar das propriedades. Segundo a pasta, três vistorias haviam sido realizadas no local antes do desabamento.
Desde 2023, o proprietário do casarão que caiu vinha sendo orientado a fazer obras de recuperação. Em 2025, outras duas vistorias indicaram que as intervenções recomendadas não haviam sido realizadas.







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