A possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) como candidata a vice-presidente perdeu força dentro do Progressistas, informa a colunista Jussara Soares, da CNN Brasil. A maioria dos dirigentes estaduais da legenda rejeitou a hipótese e reafirmou ao presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI), a preferência pela manutenção da neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto.
As manifestações ocorreram entre quarta-feira (29) e quinta-feira (30), após Ciro Nogueira consultar lideranças estaduais sobre a viabilidade de uma aliança formal com o PL. Segundo apuração da CNN, a maioria dos dirigentes se posicionou contra a composição e defendeu que o partido permaneça sem apoio oficial a qualquer candidatura presidencial.
A avaliação predominante é que a neutralidade garante maior autonomia para que o Progressistas construa alianças de acordo com as realidades políticas de cada estado, preservando acordos já firmados tanto com partidos da base do governo quanto da oposição.
Estratégia regional pesa na decisão
O principal argumento apresentado pelos dirigentes estaduais é que um apoio nacional ao candidato do PL comprometeria a estratégia adotada pelo partido em diversas unidades da federação.
Em estados como Pernambuco, Paraíba e Maranhão, por exemplo, o Progressistas mantém aproximação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus aliados locais.
Já em estados como São Paulo e Paraná, o partido integra alianças com o grupo político liderado por Flávio Bolsonaro.
Na avaliação das lideranças, oficializar um apoio nacional poderia provocar desgastes e comprometer acordos regionais considerados estratégicos para as eleições.
Por isso, a manutenção da neutralidade é vista como a alternativa mais segura para preservar a unidade da legenda.
Estatuto também dificulta indicação de vice
Além da resistência política, dirigentes do PP apontam obstáculos previstos no próprio estatuto partidário para a formalização de uma eventual aliança.
Segundo integrantes da legenda ouvidos pela CNN, a indicação de um candidato a vice-presidente dependeria da convocação de uma convenção nacional, procedimento que exige publicação de edital com pelo menos oito dias de antecedência.
De acordo com o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), esse prazo já inviabiliza uma mudança de posição, salvo se houver consenso absoluto entre toda a direção partidária.
“Votei pela neutralidade e não abro mão. Não tem mais prazo para convocar convenção nacional e, sem unanimidade do partido, não tem convocação. Logo, não há mais chance de indicar vice”, disse o parlamentar.
A declaração reforça o entendimento de parte da cúpula do Progressistas de que, além da falta de apoio político, existem limitações regimentais que dificultam qualquer alteração no posicionamento da legenda.
Federação com União Brasil amplia impasse
Outro fator apontado como obstáculo para a composição é a existência da federação partidária formada entre Progressistas e União Brasil.
Como as decisões eleitorais precisam considerar também os interesses da legenda federada, uma eventual indicação de Tereza Cristina dependeria do aval de dirigentes do União Brasil, tornando o processo ainda mais complexo.
Essa exigência amplia as negociações e reduz as possibilidades de um acordo ser fechado dentro do prazo eleitoral.
Tereza Cristina admite conversas com Flávio
Apesar da resistência encontrada dentro do Progressistas, a senadora Tereza Cristina confirmou que esteve reunida com Flávio Bolsonaro na quarta-feira (29) para discutir o cenário eleitoral.
A ex-ministra da Agricultura afirmou, no entanto, que uma eventual composição ainda depende de entendimentos internos e de uma série de consultas políticas.
A senadora ressaltou que a decisão “depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”.
Nos bastidores, aliados afirmam que Tereza Cristina sinalizou disposição para aceitar o convite caso o entendimento político fosse construído entre os partidos envolvidos.
A possibilidade animou integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro, que trabalham para ampliar o arco de alianças e evitar uma chapa formada exclusivamente por integrantes do PL.






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