Nos bastidores da direita, cresce a possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disputar a Presidência da República em 2026, especialmente se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidir buscar a reeleição. Segundo informações da colunista Letícia Casado, do portal UOL, aliados da família Bolsonaro cogitam até anunciar, ainda na pré-campanha, o nome que comandaria a política econômica em um eventual governo Michelle.
A estratégia é semelhante à adotada por Jair Bolsonaro em 2018, quando prometeu delegar a área econômica a Paulo Guedes, seu então “Posto Ipiranga”. Agora, o nome cotado para repetir o papel é o de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. De acordo com fontes próximas ao grupo político, Campos Neto já sinalizou no ano passado a Tarcísio que aceitaria voltar ao setor público como ministro da área econômica, caso o governador concorresse à Presidência.
Com Tarcísio mais inclinado a permanecer em São Paulo, a alternativa de lançar Michelle como cabeça de chapa ganhou tração. Para aliados, a ex-primeira-dama tem força política junto ao eleitorado evangélico e de baixa renda, além de manter o nome Bolsonaro em evidência na disputa, o que é considerado fundamental para que a base permaneça mobilizada.
A configuração ideal, segundo pessoas próximas ao grupo, incluiria também um nome do Nordeste como vice, com o objetivo de reduzir a vantagem de Lula na região, que foi decisiva nas eleições de 2022. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil e aliado de longa data do bolsonarismo, é cotado para o posto.
Essa chapa, formada por Michelle, o “Posto Ipiranga 2” Campos Neto na economia e Ciro Nogueira como vice, é tratada nos bastidores como uma possível “chapa dos sonhos”, reunindo o PL, o Progressistas e o apoio de bolsonaristas presentes em outras siglas. No entanto, a composição pode dificultar alianças com partidos do centrão mais distantes de Bolsonaro, como MDB e PSD, que resistem a uma candidatura com forte identidade bolsonarista.
Segundo a legislação eleitoral, políticos com cargos públicos que queiram se candidatar em 2026 precisam deixar suas funções até abril do mesmo ano. A expectativa entre aliados é de que a definição do nome apoiado por Jair Bolsonaro ocorra até março. No momento, os dois nomes mais fortes no radar são Michelle e Tarcísio.
Mesmo que não seja candidata à Presidência, Michelle é vista como peça-chave no jogo político da oposição para 2026, seja compondo chapa como vice ou atuando como principal cabo eleitoral do bolsonarismo em disputas regionais e nacionais. Seu apelo simbólico, carisma e ligação com o eleitorado conservador a mantêm no centro das articulações para a sucessão de Lula.





